sexta-feira, 5 de outubro de 2018

GRAUS INEFÁVEIS

Alberto d'Assumpção


Mestre Secreto
Cabe ao Mestre Secreto fazer ver ao neófito a seriedade do seu juramento e todas as implicações.
A obediência pressupõe silêncio e diligência. No silêncio pode o aprendiz refletir no que houve. Dialogar consigo mesmo e forjar o seu carácter habituando-se, se necessário, a para além dos silêncios, a saber recalcar e calar qualquer ressentimento.
Obedecer em silêncio também revela a importância da sobriedade, do decoro, e da contenção. Adquirindo estes valores, saberá mais tarde como liderar e comandar.
Perceberá que das maiores misérias humanas pode nascer a luz. Assim reflete sobre caridade, benevolência, paciência, decoro, consideração, respeito, caridade, e outros pequenos detalhes que a avó, através de um chá e uns bolinhos, nos transmitia.

Mestre Perfeito
O Mestre Perfeito deve fazer jus ao seu título, ser um exemplo de trabalho e honestidade.
Pelo trabalho árduo e dedicado, retribui um pequeno grão de tudo o que a vida lhe proporciona, gerindo sinergias no seio do grupo a que pertence. Pelo exemplo, será mais facilmente aceite pelos irmãos, seja como par ou primo interpares. A liderança conquista-a pelo respeito gerado. Ao atuar a honestidade, põe-se ao nível com a retidão do fio-de-prumo.
Uma vida segundo estes princípios será bem preenchida e faz merecer uma passagem ao Oriente Eterno com a consciência do dever cumprido, consigo e com o seu semelhante. Tanto o trabalho como a honestidade são ferramentas essenciais que embelezam a construção do templo. São peças determinantes numa vida virtuosa apta para as mais belas construções.

Secretário Íntimo
O Secretário Íntimo tinha de zelar pelo bem-estar de Salomão. Os seus desejos mais íntimos, antecipar os seus anseios, protegê-lo de inimigos mais improváveis.
Para tal é-lhe exigido uma lealdade a toda a prova, mesmo que sacrifique a própria vida. Algo paralelo ao pensamento que prestamos aquando da iniciação. Algo que vem sendo desrespeitado na nossa Ordem ultimamente.
Devia zelar pelo bem-estar de Salomão em todos os aspetos, como devemos zelar para que os landmarks sejam cumpridos e os rituais respeitados. Tudo isto num desapego (prefiro esta palavra a desinteresse) próprio. Desapego das medalhas prebendas, e outros afagos profanos que mascaram e denigrem a vocação, a dedicação e a abnegação. Estas últimas não carecem de recompensa material. No entanto, materializam o esperado da ação do homem de bem ou de bons costumes. O desapego da recompensa material é diminuto perante o afago do bem que se propaga no mundo, passo a passo, mas sempre com o ideal da paz universal gerado pela virtude, pela tolerância, pela verdade.

Preboste ou Juiz
Salomão era considerado um grande juiz (o maior, até) na antiguidade. Ficou no uso linguístico a expressão “sentença salomónica”, em francês “le juste milieu”, o meio caminho ideal.
Poderia arriscar falar de justiça ideal para pobres e ricos, fracos e fortes, débeis e poderosos, patrões e assalariados. Ser juiz é um fardo. Depende muito do zeitgeist – o espírito dos tempos. Hoje em dia é alvo de pressões atrozes da comunicação social, das grandes corporações, etc. Precisa ter uma bagagem enorme, sociológica, psicológica, ética, cívica, e acima de tudo, empática.
Tem de saber pôr-se no lugar do réu e inferir dos motivos que originaram a delinquência, para que a equidade, mãe de toda a justiça, seja honrada. Ao preencher pelo menos estes requisitos, a sentença será lavrada de maior presteza e aí será uma honra ter exercido a função de juiz.
A toga tem de ser feita de um material ético, intelectual, caridoso e honesto. Sem estes valores, será apenas um tecido.

Intendente dos Edifícios
Qualquer trabalho que se queira bem feito necessita de pontualidade. O Mestre Hiram era o primeiro a estar presente, fossem quais fossem as condições atmosféricas, todos os dias era o primeiro a chegar e o último a partir.
Observava o trabalho dos vários grupos de talhadores, incrustadores, polidores, metalúrgicos, e zelava pelo bom andamento da construção do templo. Corrigia o que havia a corrigir, combinando as várias possibilidades de resolução dos problemas emergentes. Despedia os incompetentes. Transferia pessoas entre equipas. Corrigia os mestres e se necessário devolvia-os à condição de aprendizes.
A sobriedade e a temperança necessárias eram-lhe mais necessárias ao dialogar com Salomão e ao enfrentar as intrigas de poder espiritual e outras forças mal intencionadas que viviam de intrigas de poder.
No final foi aclamado, respeitado, e celebrado por 100000 obreiros. Estes retribuíram ao Mestre a devoção que este tinha pela obra. Ser um exemplo, não exigir nada ao outro que não exigimos a nós próprios, aprender com os nossos erros, ter a honestidade e a abertura para aprender com os outros, mesmo que em teoria nossos
inferiores. Enfim, reconhecer a nossa ínfima expressão com que viemos ao mundo e dar graças por, ao existir, podermos contribuir para uma consciência universal que talvez um dia nos faça levantar o céu e nos tornarmos merecedores do reconhecimento do Grande Arquiteto do Universo, pela obra que, com desapego das coisas terrenas, ajudámos a construir.

Essa será a nossa melhor morte e a nossa virtude o verdadeiro portal.

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quarta-feira, 3 de outubro de 2018

O Silêncio

Izabella Pavlushko

O Silêncio

Depois de ter recebido a notícia que a minha candidatura à Associação Albert Pike tinha sido aceite, foi-me dito que esta fase era dedicada ao silêncio. Recordei que em 2002 quando fui iniciado nas denominadas Lojas Azuis estive dois anos sem poder “falar” durante as SS:. Iniciei a minha viagem de quase 170 quilómetros em direcção ao Porto e vinha a meditar sobre o que poderia estar relacionado com este tema, o silêncio. Meditar sobre o que significaria o percurso de entrada numa Loja de Perfeição ou de graus inefáveis.Tive que ir consultar o dicionário para ver o significado de tal palavra, visto não ser usual no léxico do português comum. Só me vinha à memória Paul Simon & Art Gurfunkel, the Sounds of Silence, “ Hello darkness my old friend I’ve to come to talk with you again (…)" Chegado ao Porto fui recebido em local previamente designado por um grupo de homens, dos quais eu só conhecia um. E dali a momentos iniciou-se a cerimónia. Depois daquela iniciação verifiquei que estava num seio de irmãos de elevada qualidade, de irmãos com conhecimentos diversificados oriundos de diversas áreas do conhecimento e do saber fazer. O local e a sua decoração eram extraordinariamente diferentes, e a sua decoração de uma beleza simples e eficazmente demonstrativa do novo caminho. Como diferentes são as posições que determinados membros ocupam em comparação com o que até aqui tinha conhecido. E eu em silêncio observava toda esta nova ordem de acontecimentos. Mas, a minha mente não estava em silêncio, estava sim numa ensurdecedora azáfama de apreender tudo o que me estava a ser transmitido. Uma verdadeira dicotomia. O silêncio e a azáfama da minha mente! Até àquele momento só conhecia a teoria da tábua rasa (1) . Estava naquele meu caminho partindo do zero, queria que a minha mente estivesse em branco e dali fosse em silêncio apreendendo o conhecimento que me era agora transmitido. Cerca do final da cerimónia ouvi o T:. V:. P:. M:.falar no rio Letes ou o rio do esquecimento e imediatamente nos elucidou sobre a Lenda do Rio Letes, ou rio do esquecimento. Fiquei fascinado, porque era exactamente como eu me sentia. Tudo até aquele momento era novo. Diferente do aprendido até então! Mas, o tema do silêncio não me saía da memória, eu sei que comigo é em silêncio que me consigo concentrar e começar uma aprendizagem, outros preferem locais com ruído ou ouvir musica. É em silêncio que estou a ler o Livro “O Homem Que Sabia Contar”(2) e caso dos quatro quatros (4444), e em silêncio recordo o teorema de Pitágoras. Numa pesquisa no motor de busca da internet sobre o silêncio existem cerca de 97 600 000 resultados (0,43 segundos). Desde a obra cinematografica “o Silêncio dos Inocentes”, ou filme “Silêncio” que relata a viagem de 2 padres jesuítas ao Japão. O tema o silêncio das palavras tem cerca de 17 300 000 resultados (0,43 segundos) . Mas, eu escolhi este tema para elaborar o meu Balaústre que deverá ser lido perante uma assembleia de irmãos ilustres, e, seria suposto eu apresentar algo de novo, algo que ainda não tivesse sido escrito, mas, não consigo. Continua na minha memória ainda hoje, como em Março a canção The sounds of Silence do Simon and Garfunkel, “Left its seeds while I was sleeping and the vision that was planted in my brain still remains within the silence of silence. Mas, porquê?  3 Porque o silêncio é algo que pode ser perturbador, é algo que nos altera e faz pensar. E pensar, é muitas das vezes incómodo! Mexe connosco porque é sempre melhor andar em modo automático do que pensar! Pensar pode perturbar, pode fazer-nos questionar tudo e todos. Pelo pensamento podemos questionar até a nossa própria existência e a existência da humanidade! O silêncio às vezes é ensurdecedor quando possivelmente estejamos em reflexão, apesar de estarmos em silêncio poderemos ouvir vozes, mas se estamos em silêncio como ouvimos essas vozes? Apesar do silêncio o nosso cérebro gravou como se de uma fita de um filme áudio visual se tratasse as vozes, as conversas tidas entre nós e vários intervenientes, ou às vezes o que para uns poderá ser ainda mais perturbante o nosso cérebro gravou as nossas vozes interiores e parece que ao ouvi-las nos apercebemos de coisas que até ali não tínhamos valorado, e em silêncio, mas com a dicotomia de estarmos a ouvir as nossas vozes reflectimos num assunto, ou aprendemos como resolver um problema que até a determinado momento não tínhamos encontrado a “solução” para o mesmo. O poder do silêncio é de facto algo pessoal e intrínseco que cada um de nós sente de maneira diferente, o silêncio como método de aprendizagem, o silêncio como indiferença, o silêncio como consentimento. Neste novo caminho que decidi fazer e para o qual fui aceite e reconhecido permaneço em silêncio a ouvir a sabedoria dos meus Queridos Irmãos, e pela transmissão da ritualista do grau permaneço em silêncio, e é em silêncio que eu vou fazendo o meu percurso e apreendizagem, e às vezes em silêncio debato os meus pensamentos que me perturbam ou causam desconforto, quiças na busca de alguma solução para esse “eventual conflito”! Mas, na senda da busca de material para poder elaborar um balancete com o mínimo de qualidade deparei-me que o tema a voz do silêncio (3) não era novidade nenhuma. Helena Blavatsky (4) procurou transmitir como é que os monges tibetanos alcançavam a plenitude espiritual e a perfeita comunhão entre corpo e alma. É por isso que nestes ensinamentos se aprende que «Há só uma senda até ao Caminho; só chegado bem ao fim se pode ouvir a Voz do Silêncio». A escada pela qual o candidato sobe é formada por degraus de sofrimento e de dor; estes só podem ser calados pela voz da virtude. Lê-se no blog COGITO ERGO SUM" (5) que o silêncio é uma virtude aprendida na Maçonaria e deve ser praticado não só nos trabalhos maçónicos, mas na vida profana. Silêncio é a primeira pedra do Templo da sabedoria. No entanto, na minha jornada de 170 kms o que me ficou no ouvido não era a voz do silêncio, mas sim a música “the sounds of silence”, ou seja os sons do silêncio! Decidi fazer a minha viagem ao meu interior, e, perceber por mim o caminho que eu estaria agora percorrer. Na cerimónia, foram-me selados (6) simbolicamente os lábios, não para eu não poder expressar a minha vontade, mas, “para me proteger”, para que eu pudesse apreender em silêncio e reflexão do percurso acabado de iniciar. Ou seja, foi como se de um lacre aposto num documento classificado de “secreto” (7) se tratasse. Em silêncio reflecti que me deveria tornar perfeito na minha caminhada, ser zeloso, combater o vício, ser justo e intimamente reflectir sobre os conhecimentos que me foram transmitidos, para poder dar inicio à decoração ou “embelezamento” de um templo. 

NOTAS:
1. John Locke (1632 – 1704), filósofo inglês, o Empirismo (…)Ele negava radicalmente que existissem idéias inatas, tese defendida por Descartes. Quando se nasce, argumentava, a mente é uma página em branco (tabula rasa) que a experiência vai preenchendo. O conhecimento produz-se em duas etapas: a) a da sensação, proporcionada pelos sentidos, e b) a da reflexão, que sistematiza o resultado das sensações.
2. Malba Tahan - Pseudónimo de Júlio César de Mello e Sousa (1895-1974)professor e autor de 69 livros de contos e 51 de matemática. (O caso dos quatro quatros está desenvolvido no capitulo VII das paginas 33 à 38, e Teorema de Pitágoras pag.107 
3. Helena Petrovna Blavatsky- escritora de Russa editou uma obra dedicada à voz do silêncio traduzida por Fernando Pessoa
4. A voz do silêncio, primeiro fragmento, página 7, Helena Petrovna Blavatsky 
5. Silêncio, http://moraledogma.blogspot.com 
6. cf ritual
7. Mestre Secreto (…) O Segredo é indispensável a um maçom seja qual for o seu grau. Esta é a primeira e quase a única lição ensinada ao Aprendiz Iniciado. retirado de COGITO ERGO SUM,  http://moraledogma.blogspot.com 
8. "Ai de ti, pois, discípulo, se há um único vício que não abandonaste; porque então a escada abaterá e far-te-á cair; a sua base assenta no lodo fundo dos teus pecados e defeitos". in Helena Petrovna Blavatsky, retirado de http://moraledogma.blogspot.com  

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O DEVER DO SILÊNCIO

Olga Dmytrenko

O DEVER DO SILÊNCIO
Na bíblia, podemos verificar que é no silêncio que escutamos o nosso Deus. Em todos os textos que tive a oportunidade de estudar sobre o dever do silêncio, verifico que o ruído atrapalha-nos a escuta física, assim como a escuta da gnose, o ruído a que me refiro, não se trata da poluição sonora, mas o ruído do nosso primeiro inimigo, aquele que todos observamos no espelho, no dia da nossa iniciação no primeiros grau. Este é, e será sempre o ruido mais ensurdecedor com que teremos de conviver até partirmos para oriente eterno, é aquele que deve ser talhado até ficar como uma pedra polida, até ficar como o mais sublime som da gnose. No entanto, repare-se que o mundo está cheio de barulhos: veículos, a voz de multidões, o barulho das cidades, os animais, as arvores, etc, é um constante frenesim para a nossa consciência, pois no acessório, tudo atrapalha, tudo chama a nossa atenção, tudo nos distrai. Mas com o estudo e conhecimento, conseguirmos abstrair-nos deste ruido, obteremos o dito silêncio, conseguiremos acalmar e focar no mais importante, poderemos escutar o verdadeiro silêncio, instrutor da sapiência divina, aquele que interessa ouvir. Várias culturas têm o habito de praticar esta fantástica ferramenta, o dever de ficar em silêncio durante momentos, torna-nos mais disciplinados, clarifica-nos a mente e aumenta-nos a clarividência. A temporada em que estamos em completo silêncio desde aprendizes a companheiros, assim como na qualidade de mestres, a maior parte do tempo, onde me incluo, deve ser constante e profundo no nosso Ser, no nosso Eu, deve ser como o ato de revelação da Luz, para que possamos cumprir algumas premissas do inquérito de S. João, devemos então enterrar os vícios e exaltar as virtudes, sendo o dever do silêncio uma das maiores virtudes que o ser humano possui, é aqui que nós mestres, devemos mostrar o nosso verdadeiro “Eu”, é esta a subida da escada de Jacó. Falar demais, sem cuidado, não é bom. Quando paramos de falar e ficamos em silêncio, passamos a ouvir com atenção. O silêncio aprofunda o nosso relacionamento com Deus e com os outros. Na bíblia em Eclesiastes, versículo 5, paragrafo 2 e 3, diz; “Não seja precipitado de lábios, nem apressado de coração para fazer promessas diante de Deus. Deus está nos céus, e você está na terra, por isso, fale pouco. Das muitas ocupações brotam sonhos; do muito falar nasce a prosa vã do tolo.” Em Tiago, versículo 3, no paragrafo 2º, diz, “Todos tropeçamos de muitas maneiras. Se alguém não tropeça no falar, tal homem é perfeito, sendo também capaz de dominar todo o seu corpo.” Como Mestres Maçons, todos interiorizamos que a oportunidade de usar a palavra, deve ser, além de extrema importância, carregada de sabedoria e usada unicamente quando é absolutamente indispensável, correndo o risco de usarmos a palavra para fazermos ruido naqueles que nos escutam. A principal lição do dever do silencio que devemos retirar, enquanto Mestres Maçons é que a palavra deve ser usada com mestria. Mas como em quase tudo na vida, cada um é como cada qual e todos evoluem ou podem fazê-lo. Há aqueles que quase não precisaram de estudar esta lição, por temperamento são pessoas caladas, reflexivas, ponderadas, que raramente falam e, quando o fazem, são, precisamente pela raridade da situação, muito atentamente ouvidos. Há pessoas que quase nunca falam a despropósito, mas algumas vezes, precisamente pelo seu particular zelo na seleção das palavras deixam de dar contributos preciosos, se partilhados no momento próprio. Há outros que, pelo contrário, são de natureza interventiva, não deixam de dar a sua opinião, não temem estar em minoria, entendem que participar, implica opinar, contribuir, ainda que por vezes apenas marginalmente. Esses correm o risco de se equivocar algumas vezes, de opinar sem o conhecimento ou a ponderação adequada, de darem a impressão de que, sobretudo, gostam é de ouvir a própria voz, estes tendem a ser a maioria. Há um encontro entre o dever, o dever de ser, de ser do silencio com os deveres enquanto homens, entes estão na dignidade, na dignidade de sermos humanos, diferentes de todas as classes animais, este encontra-se no valor de que se reveste tudo aquilo que não tem preço, ou seja, não é passível de ser trocado por algo que possa parecer idêntico. Dessa forma, a dignidade é uma qualidade inerente aos seres humanos enquanto entes morais: na medida em que exercem de forma autônoma a sua razão prática, os seres humanos constroem distintas personalidades humanas, cada uma delas absolutamente individual e insubstituível. Concludentemente, a dignidade é totalmente inseparável da autonomia para o exercício da razão prática, e é por esse motivo que apenas os seres humanos se sobrevestem de dignidade, é por este motivo, o da dignidade humana que o dever do silencio deverá ser uma constante de trabalho afincado na profundidade no nosso Ser, do nosso Eu. Há várias escrituras no passado que declararam, “As palavras terminam onde começa a verdade”.

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CONHECIMENTO E A SABEDORIA

Alberto d' Assumpção

A sabedoria, pode ser vista para o Desenvolvimento do Homem como experiência na pragmática fundamental da vida para organizar o nosso pensamento mais perspicaz e humano. Um julgamento sábio deve refletir a perceção da natureza humana, justiça, conveniência e assim por diante. A conceção de equilíbrio da sabedoria pode enfatizar a capacidade de fazer julgamentos complexos sobre o bem comum refletindo conhecimento explícito e tácito, são julgamentos que equilibram um conjunto de fatores potencialmente conflitantes de curto e longo prazo. Outras perceções podem elucidar a ação sábia, estabelecendo a sabedoria como muito indescritível e uma qualidade pessoal. Há autores que destacam várias características da ação inteligente, como lidar geralmente com assuntos humanos complicados e especialmente interpessoais, contrastando com ações que são apenas astutas, expedientes ou inteligentes, e manifestando desinteresse, compaixão, empatia e bom timing para fazer a diferença. Numa recente dissertação profunda sobre sabedoria, o autor Rowson (2009) argumenta que as ações sábias e julgamentos dependem particularmente da liberdade de uma variedade de ilusões do eu, o que nos impede de ver claramente. Para generalizar, as diferentes visões de sabedoria mostram um parentesco notável, mas tendem a não mostrar as mesmas características, como de fato, vistas como conhecimento ou informação. No lado positivo, certamente áspero de definições e contrastes servem para aprofundar o nosso senso de informação, conhecimento e sabedoria. No entanto, queremos saber o que é o oposto do conhecimento? Ignorância, desinformação, estupidez e assim por diante. Também fazem parte da cultura, das artes populares como cinema e literatura, bem como folclore tradicional, todos se envolvem com ignorância, estupidez e erro. Existem muitas teorias na literatura sobre inteligência e sabedoria, tais como teorias psicométricas, teorias cognitivas, teorias genético-epistemológicas e teorias sociopsicológicas.
Há muitas tentativas de medir a inteligência e muito menos com testes de criatividade, apesar de muitos desentendimentos nesses testes. Quanto à sabedoria, não há testes até o momento para justificar qualquer desacordo.
As teorias implícitas podem ser úteis no desenvolvimento de uma estrutura conceitual para definir a sabedoria. “As teorias implícitas são construções de pessoas que residem nas mentes desses indivíduos. Tais teorias precisam ser descobertas em vez de inventadas porque já existem de alguma forma, na cabeça das pessoas” (Sternberg, 1985). A maneira mais simples e direta de encontrar tais teorias implícitas é perguntar às pessoas o que elas são.
Confúcio, nos Analectos, postula que a sabedoria envolve a justiça, e que as pessoas sábias são conhecedoras do Caminho (Tao). Sabedoria no budismo é uma forma de iluminação (nirvana) em que um entenderia e levaria a vida de acordo com o que é "certo". Aristóteles sustenta que a prática e a sabedoria representam a capacidade de decidir bem em relação à conduta da vida.
O conhecimento é necessário, mas não é suficiente para a sabedoria. Ou seja, para ser sábio é preciso ser experiente, mas ter conhecimento não faz um sábio. O conhecimento pode inibir, a busca de sabedoria ofusca as perspetivas e, consequentemente, as mudanças positivas. Por isso, destaca a importância da reflexão crítica e do bom senso.
A aquisição de sabedoria envolve um processo extenso e intenso de
aprendizagem, prática e busca de excelência. Processos múltiplos e interrelacionados são esperados na geração de sabedoria. Há aspetos integradores do conhecimento e da virtude, as precondições do desenvolvimento da sabedoria, que incluem elementos cognitivos, motivacionais, sociais, interpessoais e espirituais. O domínio da vida crítica, a experiência, orientação de mentores, experiência e influências sociais também são fatores cruciais na sabedoria e no desenvolvimento.
O conhecimento e julgamento relacionado com a sabedoria é coletivo e socialinterativo de várias maneiras. A sabedoria é socialmente interativa dentro das comunidades humanas. Por exemplo, as pessoas tendem a procurar conselhos de pessoas altamente valorizadas para os seus problemas difíceis da vida. Às vezes, essa consulta pode ocorrer nas nossas cabeças, onde simulamos que outros podem aconselhar ou fazer em particular situações difíceis na vida.
Ativar e aplicar sabedoria requer mentes interativas; aplicando o conhecimento relacionado com a sabedoria e o julgamento para situações de vida difíceis e incertas provavelmente envolve mais de um indivíduo. Isto porque o corpo de conhecimento e habilidades pode ser considerado muito grande e complexo para ser retido por uma mente sozinha. Avaliar e validar a sabedoria também requer mentes interativas. Como não há uma definição absoluta de sabedoria, a sabedoria só pode ser reconhecida e atribuída por consenso, como tal, um acordo na maioria subjetiva torna-se essencialmente objetiva. No entanto pode-se diferenciar duas formas básicas de mentes interativas, ou seja, o diálogo externo e interno. O diálogo externo acontece entre duas ou mais pessoas, onde o conselho é dado à busca individual assistência. O diálogo interno ou virtual, por outro lado, refere-se ao diálogo individual, ou seja, pensar o que os outros podem fazer ou dizer sobre o problema em questão. Em suma, é uma simulação mental. Mesmo assim, ambos os mecanismos são conducentes a melhorar o julgamento e, consequentemente, desenvolver a sabedoria.

BIBLIOGRAFIA
Sternberg, R.J.(1985). Implicit Theories of Intelligence, Creativity, and Wisdom. Journal of Personality and Social Psychology, 49, 3
Sternberg, R.J. (1998). A Balance Theory of Wisdom. Review of General Psychology, 2, 4.
Sternberg, R. J. (1999a). The theory of successful intelligence. Review of General Psychology, 3, 4, 292-316.
Baltes, P.B., and Staudinger, U.M. (2000). Wisdom: A Metaheuristic (Pragmatic) to Orchestrate Mind and Virtue towards Excellence. American Psychologist, 55, 1
Chen, M., Ebert, D., Hagen, H., Laramee, R., van Liere, R., Ma, K. L.,
Ribarsky, W., Scheuermann, G. and Silver, D. (2009). Data, information and knowledge in visualization.
http://homepages.cwi.nl/~robertl/articles/cga2009.pdf Downloaded on 2011/9/5
Baltes, P. and Smith, J. (1990) Toward a psychology of wisdom and its ontogenesis. In Wisdom, Its Nature, Origins and Development (Sternberg, R., ed.), pp. 87–120, Cambridge University Press, New York
Baltes, P. and Staudinger, U. (2000) Wisdom: A metaheuristic (pragmatic) to orchestrate mind and virtue toward excellence. American Psychologist 55, 122–136
Sternberg, R.J. (1998) A balance theory of wisdom. Review of General Psychology 2, 347–365
Claxton, G. (2008) Wisdom: Advanced creativity? In Creativity, Wisdom, and Trusteeship: Exploring the Role of Education (Craft, A., Gardner, H. and Claxton, G., eds), pp. 35-48, Corwin Press, Thousand Oaks, CA
Rowson, J. (2009) From Wisdom Related Knowledge to Wise Acts:
Refashioning the Concept of Wisdom to Improve Our Chances of Becoming
Wiser, Ph.D. Thesis, University of Bristol, Bristol, U.K


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terça-feira, 28 de agosto de 2018

Transmissão do Saber


Por vezes dou comigo a pensar porque não disse determinada coisa a um aluno e disse a outro sobre o mesmo aspecto ou o mesmo problema. Passados mais de trinta anos de ensino, além da memória selectiva normal da idade, há decididamente uma seleção natural a quem, como e que nível de saber se transmite, mesmo sem pensar nisso.

O acesso á informação e ao conhecimento deve ser igual para todos. Depois há que zelar para que os diferentes níveis de conhecimento mereçam da parte do neófito de acordo com o seu mérito académico, nível de empenho mas, no meu caso, zelo para que seja digno como homem ou mulher, dos mais altos níveis de saber. O edifício tem de ser erigido sobre terreno fiável, alicerces consistentes e perenes, para que não possa soçobrar sob as maiores tempestades. Antes de ser belo tem de ser forte nos valores que o sustentam

A beleza da obra final será tanto maior quanto os seus raios se alimentem de energia poderosa. Sobre os ombros do intendente cai a responsabilidade da história dos tempos o sofrimento de tantos e a morte do mestre dos mestres. A memória justa exige o maior desvelo na procura do saber mas um ainda maior cuidado na sua transmissão para que só os justos possam continuar a construção do templo.

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sexta-feira, 3 de agosto de 2018

Justiça


A sentença de Salomão', tapeçaria de Almada Negreiros

Justiça e o estudo da história da humanidade confundem-se com a presença da Maçonaria que correu em socorro dos infelizes e sacrificados judeus. A Maçonaria e seus agentes , partiu, em nome do direito das gentes e da igualdade dos povos, para uma luta fiel, leal e corajosa contra a tirania, esta luta resultou com a derrubada de um dos grandes monstros que infelicitavam a humanidade – através da queda da Bastilha, em 14 de julho de 1789. Foi seu período de grandiosidade, em que a DECLARAÇAO DOS DIREITOS DO HOMEM criou os ideais sagrados de “Liberdade, Igualdade e Fraternidade”, que vieram a se constituir nos supremos landmarks da ordem.
E dentro da história brasileira  e sobre a Extinção da Escravatura, todos os acontecimentos desde 1826 a 1888, tiveram a participação da Maçonaria, quer direta ou indiretamente, através de seus membros que ocupavam altos cargos no Império, culminando com a participação do Maçom Rodrigo Augusto da Silva, Ministro da Agricultura, que compareceu perante a Câmara, onde leu:
“Augustos e Digníssimos Senhores Representantes da Nação: Venho em nome de sua Alteza e Princesa Imperial Regente, em nome de sua Majestade o Imperador, apresentar-vos a seguinte proposta:
Art. 1º - É declarada extinta a escravidão no Brasil
Art. 2º - Ficam revogadas as disposições em contrario.
Palácio do Rio de Janeiro, em 8 de maio de 1888.
Rodrigo Augusto da Silva.”
As Lojas Maçônicas são luzes da comunidade, buscam através da atuação de seus membros, praticar os atos necessários, para que a justiça social seja fato presente e constante em nossas atividades, pelo trabalho desinteressado de seus Iniciados. A Maçonaria hoje, mais evoluída e cristianizada – resume sua filosofia na tríade sublime: VERDADE, BELEZA E BONDADE; seu ideal político, nas palavras: LIBERDADE, IGUALDADE e FRATERNIDADE, englobando tudo, enfim, em: DEUS, VIRTUDE e CIÊNCIA. Onde houver um maçom, seja no Governo Nacional ou nas Câmaras, nas Juntas Municipais, nas Repartições Públicas, nos Consultórios Médicos ou nos Tribunais, nas Escolas ou no Comercio, enfim, aí estará algum pregoeiro da paz e da Justiça Social, através do exemplo, do trabalho, da moralidade no trato da coisa publica e da preservação dos bons costumes.

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Conhecimento

Templo de Apolo, em Delfos

Conhecimento é ter consciência dos seus afim de repará-los e evitar o mal. Na estrada de evolução de um Ir.˙. o conhecimento é fonte de riqueza emocional.
A Maçonaria Universal baseia sua filosofia na arte de construir, tendo como tarefa aperfeiçoar a estrutura da ciência maçônica. Utiliza para esse fim as alegorias e os símbolos dos construtores medievais que edificaram as grandes catedrais da Europa deste período.
Por isso os símbolos da maçonaria são os de pedreiro e os de arquiteto. Estes instrumentos são herança da maçonaria primitiva. A interpretação do significado da maçonaria é a de que a Instituição é a construção, e o Maçom, o seu artífice.
Segundo Sócrates, grande filósofo e pensador grego, a qual serviu de norte, tanto para a sua trajetória, como para a sua pregação filosófica, que é: “CONHECE-TE A TI MESMO”. A verdade é que a atividade de pensar confere asas ao maçom para mover-se, e raízes para aprofundar-se na realidade do mundo em que vivemos.
René Descartes, grande filósofo francês, cunhou o seguinte pensamento: “Se duvido, penso; se penso, existo”, ou seja: “COGITO, ERGO SUM” – penso, logo existo. Portanto, não se alcançará o conhecimento sem a observância dessas premissas, a qual precede até mesmo o primeiro passo.
Os maçons são os próprios sujeitos da formação do conhecimento maçônico.
Devemos ser sempre aprendizes,  e simplesmente, viver ... Simplesmente, observar tudo à sua volta ... Simplesmente captar a importância de tudo o que acontece em nosso redor, porque tudo é importante, uma vez que faz parte da vida ...
O Conhecimento é um caminho que vamos percorrendo, adquirindo a pouco e pouco aquilo que ainda não sabemos, diferentemente da Sabedoria, que é aquilo que faz parte de nós, do nosso inconsciente, do que já processamos no intelectual e no emocional. O conhecimento nos permite autodefesa, a sabedoria nos alerta para o autocontrole.
  ELBF12




Zelo

Estátua de Nicodemos no Adro do Bom Jesus, Braga

Sabemos e devemos compreender que o GADU criou as pessoas para que sejam amadas e as coisas para cuidar, por que amamos as coisas e usamos as pessoas? O zelo na concepção da vida é o que podemos fazer para mantermos as pessoas , os IIr.˙.   que vivem conosco bem cuidadas, emocional e socialmente, mas um dos principais inimigos do zelo ao próximo é a vaidade.
Existem diversas formas de exercer o bom zelo pela existência e pelo bom viver, e imensos esforços para tornar suas próprias vidas mais interessantes, todas estas formas passam inevitavelmente pelo aceite ao próximo, pela capacidade de olhar para si , mas não ver apenas o que se olha, procurar compreender as razões que levam uma pessoa a ter mais ou menos presença.
O zelo pela vida alheia, tem o querer “se engrandecer” sobre as falhas dos outros e não percebe que isso  caracteriza  gente miúda, que na tentativa de sentir-se bem, precisa preencher seu vazio com o conteúdo dos outros !
O Zelo pela ótica da boa conduta maçônica foi representado pelo hino maçônico brasileiro, que foi elaborado pelo Imperador do Brasil Dom Pedro I, e que diz: “... Da luz depósito augusto,recatando a hipocrisia, guarda em si com o zelo santo a pura Maçonaria...”, e figurativamente o zelo santo foi interpretado de uma forma talvez mais resiliente, e considerada por tanto menos filosófica; foi quando Tertuliano argumentou  que a filosofia pagã não tinha nenhuma influência ou mesmo relevância sobre o corpo em desenvolvimento de qualquer teologia revelada. Ele foi ainda mais a fundo, com um zelo fanático que acompanhou sua conversão, suas palavras também transmitiram a sua posição controversa de que as posições mundanas ocupadas pelos antigos filósofos gregos eram totalmente incompatíveis com a perspectiva do mundo cristão. Para Tertuliano, esses dois universos eram totalmente incompatíveis. Tertuliano foi a prova mais eloquente de que o zelo por uma convicção pode macular um entendimento mais sensato sobre qualquer tema, não pode haver zelo por convicções, nem zelo por coisas, a história da humanidade nos comprova que as convicções são por demais frágeis diante dos factos e da evolução humana, e todos os avanços deste mundo tiveram como foco central o ser humano, o zelo pelo dia menos doloso, pela criança menos sofrida, pelo idoso menos infeliz.
Guarda em si com zelo santo a pura Maçonaria.
ELBF12


Lealdade

Maria de Magdala de Giovanni Girolamo Savoldo

D. Duarte com uma dimensão de código moral e social da nobreza da sua época, valorizava em muito o valor normativo que lhe era conferido nos códigos de comportamento da nobreza: dizia sobretudo respeito à espiritualidade, à sensibilidade, ao coração. Prendia-se antes com a «verdadeira amizade», era a sua base, o seu fundamento . Futuramente foi o tema da lealdade da nação portuguesa ao seu príncipe herdeiro e ao seu rei que deu o inspiração às orações proferidas no juramento do príncipe João, nesta oração em que é aclamado o seu filho :  “maravilha fatal da nossa idade”, D. Sebastião —, o sábio bispo de Miranda e Leiria, na eloquência e elegância da sua doutrinação política, digna de um mestre de príncipes, não deixa de pôr o acento nesta virtude lusa, e numa época em que a fides política recebera forte abalo com as novas concepções de Maquiavel, fez se latente a leitura da Lealdade não apenas por subverniência , mas por invocação divina.
Lembrei-me de ilustrar isto, por que a real concepção de Lealdade não está vinculada a um juramento ou a uma obrigação, os evoluídos IIr.˙. aceitam no seu dia a dia a verdade pela verdade e são leais aos princípios dos bons costumes, não por uma obrigação filosófica ou institucional, mas por uma invocação intelectual e pelo entendimento de que a evolução do homem como agente de um universo mais fraternal passa inevitavelmente pela prática de ações leais ao próximo.
Não é preciso olhar muito distante do convívio diário para percebermos que o ser humano, esconde-se por detrás de títulos, condições e graus acadêmicos, e mantem-se alheios aos princípios mais simples de lealdade, quando procuram se colocar acima dos outros pela titulagem ou aparência, isto é o que mais devemos combater como Maçons, nosso estímulo deve ser estender as mãos não apenas para o cumprimento, mas prolongar relacionamentos pela essência da boa fé.
 Talvez a maioria das pessoas fecham-se em seus nichos por que só gostam das verdades que elas desejam ouvir. E junto com essa característica peculiar, carregam a hipocrisia de se acharem menos egoístas que outros a ponto de se permitirem o direito de criticar aquelas que são diferentes. O maçom dos tempos atuais tem um enorme desafio pela frente, porque as pessoas se tornaram mais egocêntricas como tentativa de defesa .

ELBF12


quarta-feira, 1 de agosto de 2018

O PROFESSOR COMO MESTRE



O PROFESSOR COMO MESTRE 

Não me basta o professor honesto e cumpridor dos seus deveres; a sua norma é burocrática e vejo-o como pouco mais fazendo do que exercer a sua profissão; estou pronto a conceder-lhe todas as qualidades, uma relativa inteligência e aquele saber que lhe assegura superioridade ante a classe; acho-o digno dos louvores oficiais e das atenções das pessoas mais sérias; creio mesmo que tal distinção foi expressamente criada para ele e seus pares. De resto, é sempre possível a comparação com tipos inferiores de humanidade; e ante eles o professor exemplar aparece cheio de mérito. Simplesmente, notaremos que o ser mestre não é de modo algum um emprego e que a sua actividade se não pode aferir pelos métodos correntes; ganhar a vida é no professor um acréscimo e não o alvo; e o que importa, no seu juízo final, não é a ideia que fazem dele os homens do tempo; o que verdadeiramente há-de pesar na balança é a pedra que lançou para os alicerces do futuro.
A sua contribuição terá sido mínima se o não moveu a tomar o caminho de mestre um imenso amor da humanidade e a clara inteligência dos destinos a que o espírito o chama; errou o que se fez professor e desconfia dos homens, se defende deles, evita ir ao seu encontro de coração aberto, paga falta com falta e se mantém na moral da luta; esse jamais tornará melhores os seus alunos; poderão ser excelentes as palavras que profere; mas o moço que o escuta vai rindo por dentro porque só o exemplo o abala. Outros há que fazem da marcha do homem sobre a Terra uma estranha concepção; vêem-no girando perpetuamente nos batidos caminhos; e, julgando o mundo por si, não descobrem em volta mais que uma eterna condenação à maldade, à cegueira e à miséria; bem no fundo da alma nenhuma luz que os alumie e solicite; porque não acreditam em progresso nenhuma vontade de melhorar; são os que troçam daquilo a que chamam «a pedagogia moderna»; são os que se riem de certos loucos que pensam o contrário.
Ora o mestre não se fez para rir; é de facto um mestre aquele de que os outros se riem, aquele de que troçam todos os prudentes e todos os bem estabelecidos; pertence-lhe ser extravagante, defender os ideais absurdos, acreditar num futuro de generosidade e de justiça, despojar-se ele próprio de comodidades e de bens, viver incerta vida, ser junto dos irmãos homens e da irmã Natureza inteligência e piedade; a ninguém terá rancor, saberá compreender todas as cóleras e todos os desprezos, pagará o mal com o bem, num esforço obstinado para que o ódio desapareça do mundo; não verá no aluno um inimigo natural, mas o mais belo dom que lhe poderiam conceder; perante ele e os outros nenhum desejo de domínio; o mestre é o homem que não manda; aconselha e canaliza, apazigua e abranda; não é a palavra que incendeia, é a palavra que faz renascer o canto alegre do pastor depois da tempestade; não o interessa vencer, nem ficar em boa posição; tornar alguém melhor — eis todo o seu programa; para si mesmo, a dádiva contínua, a humildade e o amor do próximo.

George Agostinho da Silva, in 'Considerações'

ELBF03

“O Silêncio é de Ouro”



“O Silêncio é de Ouro” - alguém escreveu.
Nos nossos rituais de aprendizes é, a páginas tantas, referido que “(…) as palavras são o meio mais poderoso para comandar os homens”.
Nesta mesma preciosa Fonte é consagrado o valor do Silêncio do Aprendiz, o qual tem por prerrogativa, entre outras, proteger o Iniciado. Até (e, se calhar, principalmente) de si mesmo.
Com efeito, esta norma impositiva talvez comece por nos impressionar, pois não conseguimos imaginar que, uma vez admitidos nos mistérios da Ordem Real, vejamos ser-nos retirado um direito tão aparentemente natural quanto inalienável.
No entanto, com o tempo, e apenas com este e através da prática do Rito, temos a possibilidade de compreender a importância desta regra. Recordemos o estranhamento provocado pelo conhecimento da interdição de falar em Loja: “Então a palavra, a expressão máxima da oralidade, é negada àquele que principia o caminho das supostas Liberdade, Igualdade e Fraternidade? – Através do Ritual, da participação nas sessões rituais e do apoio dos nossos Irmãos Obreiros, conseguimos paulatinamente vir a contextualizar este Silêncio, que começa por nos ser imposto mas do qual, curiosamente, podemos vir a sentir falta. É que, realmente, o Silêncio do Aprendiz protege, possibilita a aprendizagem, convida à reflexão e incute disciplina em todo aquele que se dispõe à sua prática.
Num mundo tão poluído de estímulos sonoros e numa sociedade tão repleta de palavras, o Silêncio em Loja constitui praticamente um não-lugar, fora do espaço e do tempo, uma não-naturalidade que, tal como ao praticante de meditação, começa por gerar um turbilhão de pensamentos que se precipitam em todas as direções, como se de animais indomáveis saídos de todos os lados se tratassem.
Ter oportunidade de apreender estes factos através da consciência provoca invariavelmente alguma ansiedade. Medo até: “Onde é que eu me vim meter?” – Interroga-se o aprendiz, inquietado pela mente que, de forma automática, repetitiva e incessante, procura explicações. Na ausência destas, e da incerteza que daí advém, a “profanidade” parece chamar-nos, com vozes que no Silêncio Ritual se fazem ouvir ainda mais alto. Sentimos que o ego, o velho inimigo que nos mostraram no espelho da Iniciação continua lá, mesmo atrás de nós, pronto para nos confortar à sua velha maneira: egotista, apaixonada, viciosa e viciante.
O Silêncio é assim um desafio simultaneamente enorme e simples, num mundo em constante parafernália. Respeitar esta regra pode ser difícil, monótono, enfastiante até. Mas aceitá-lo e respeitá-lo, praticando-o não apenas em Loja mas, também, no mundo profano, pode ser um exercício tão instrutivo quanto valioso. Se, por exemplo e de forma simples, experimentarmos começar a ouvir as frases que os outros dizem até ao fim, ou então, nos preocuparmos em sermos concisos e assertivos sempre que falamos, tentando poupar os nossos interlocutores a palavras desnecessárias e seguindo o exemplo dos nossos irmãos em Loja, facilmente constataremos que o Silêncio e a sua prática são ferramentas de Virtude, através das quais podemos, como nos dizem os nossos Landmarks, aperfeiçoar-nos e, através de tal, modestamente contribuirmos também para o aperfeiçoamento da Humanidade.
Por isso, agora, nesta etapa de aperfeiçoamento filosófico, regressar ao Silêncio quando até já dispomos do direito de usar da Palavra em Loja e quando, porventura, até podemos já sentir saudades do protetor Silêncio do Aprendiz, desafia-nos a renovarmos a nossa Humildade, Obediência e Fraternidade, qualidades que devem caraterizar todo o Maçon que aspire à qualidade de eterno Aprendiz.
Compreendendo a Sabedoria do Silêncio melhor conseguiremos revestir as nossas palavras com a Força dos metais e a Beleza das colunas do Templo do Bem.
ELBF25

terça-feira, 26 de junho de 2018

“O maçom, Além da matéria”

Leonardo Da Vinci


“O maçom, Além da matéria”

Quando iniciamos nossa busca em prevalecer o espírito sobre a matéria, sempre nos perguntamos: “será que de agora em diante vou ter de agir como Santo?” Realmente, esta é uma pergunta muito difícil de responder, pois o limite do bom senso é por demais ténue, e se não tomarmos cuidado, caímos no abismo da ignorância.
Nas leituras que pude fazer sobre as obras do Irmão e escritor Denizar Silveira de Oliveira Filho, chegamos a conclusão que o objetivo principal da Maçonaria é o nosso desenvolvimento individual e coletivo sob os aspectos moral, intelectual e espiritual. O homem é, sem dúvida, a mais perfeita obra da Criação. É um Ser racional. E, como tal, possui duas naturezas: a natureza material, seu corpo físico; e, a natureza espiritual, a alma, o espírito universal divino que habita em seu corpo físico. Como ser material, nenhuma obra ou máquina feita pelo homem é metade da maravilha que é o corpo humano. Quer na complexidade de sua estrutura, que na perfeição de funcionamento ou na durabilidade, não existe máquina alguma feita pelo homem, antiga ou moderna, que sequer possa ser comparada com ele. É composto de bilhões e trilhões de coisas diferentes, um agregado de unidades celulares cada uma das quais tendo uma estrutura, uma função e vida própria independente. Nada ao acaso! Ao contrário, vemos em tudo um universo ordenado, um mosaico caprichoso e belo onde tudo tem seu lugar exato! Uma suprema habilidade! Mas, será que o homem apenas é esse maravilhoso ser material? Certamente que não! Existe mais.

A natureza espiritual. Espiritual é tudo aquilo que é relativo ao Espírito. Espírito, por sua vez, é o princípio animador ou vital que dá vida aos organismos físicos; o sopro vital; a alma; o princípio da vida; o ser íntimo, que está oculto no ser aparente e que o faz mover. Este espírito vive em nós e sua vida, que serve para manifestar o fogo dos órgãos físicos, é independente da vida orgânica. O corpo humano é cheio de intenção divina, um êxtase científico. Não há nada nele, nenhuma célula que não proclame aos quatro ventos a maravilha da obra daquela inteligência suprema a que os homens chamam Deus, e os Maçons G.´.A.´.D.´.U.´.. O principal objetivo da Maçonaria como aprendemos, é o desenvolvimento espiritual do Maçom e da humanidade, para que um dia nos encontremos em presença do G.´.A.´.D.´.U.´., face a face com nosso Deus. E por tudo isto, meus diletos IIr.’., será que um belo sorriso, um gesto de amizade, uma ação de caridade, um gesto fraterno de respeito pelas pessoas, possam servir de instrumentos invisíveis a fim de que tenhamos o alcance da nossa tão sonhada evolução, e tudo isto está na mais ampla visão de apenas uma palavra “SERVIR”.

ELBF24

PAZ E DIREITO DE OPINIÃO

Picasso

PAZ E DIREITO DE OPINIÃO

Como referido no Balaústre anterior, a Maçonaria e os Direitos Humanos estão intimamente ligados. A Maçonaria Universal, e o que ela representa, sempre esteve na vanguarda dos movimentos de autodeterminação e defesa da liberdade do homem e do lado do progresso e do humanismo.
Contribuiu para que as Declarações dos Direitos Humanos e dos Direitos da Criança sejam hoje uma realidade, para a abolição da escravatura e da pena de morte, para a luta anticolonialista, para o sufragismo universal, para a igualdade de raças e de sexos e para a liberdade religiosa.
À escala nacional, muitos foram os maçons que combateram ao lado do Grão Mestre D. Pedro IV contra o absolutismo, e que estiveram com o maçon Machado Santos, fundador da República, e dos Capitães de Abril na restauração da democracia. A Maçonaria ao longo dos anos, deixou a sua marca na governação do país, tendo os primeiros presidentes dos Governos Provisórios após as Revoluções de 5 de outubro de 1910 e de 25 de Abril de 1974 sido os maçons Teófilo Braga e Adelino da Palma Carlos.
Contribuiu para a promoção da legalização do divórcio, enquanto direito civil e individual, do registo civil, da instrução primária obrigatória e da criação do Serviço Nacional de Saúde. Ajudou a redigir as Constituições liberais e republicanas. Teve (e tem) sempre um papel ativo na criação e gestão de instituições culturais, científicas e de solidariedade social.
O carácter progressista da maçonaria, só é possível no país e no mundo, devido ao trabalho discreto nas Lojas, da intervenção dos maçons nas diversas organizações politicas, sociais e empresarias e do debate promovido no interior do Templo.
Falar de progresso e de humanismo, é, pois, falar de Maçonaria, mas também de PAZ e de DIREITO DE OPINIÃO!
Defender e promover o direito à Paz dos povos e de cada indivíduo significa, de facto, criar as condições necessárias e indispensáveis para o desenvolvimento e o reconhecimento para todos dos direitos humanos fundamentais que a maçonaria sempre pugnou ao longo dos anos e da sua história.
Quem vive em situações de paz estável e duradoura corre o risco de dar por normal a existência e o respeito de todos aqueles direitos civis, políticos, económicos, sociais e culturais, designados por direitos humanos fundamentais, como por sejam: o direito à vida, à liberdade e à segurança pessoal, à saúde física e mental, à educação, à liberdade religiosa, no entanto vários são os exemplos na atualidade de que estes direitos aparentemente normais e totalmente alcançados estão ameaçados ou pura e simplesmente não são observados. Por seu turno, a ameaça à paz, põe em causa, outro dos princípios fundamentais da liberdade individual e um dos pilares da maçonaria: o direito de opinião! De facto, na Declaração Universal dos Direitos Humanos, também ela uma “prancha maçónica” como foi referido no balaústre anterior, consagra no seu artigo 19.º o “direito à liberdade de opinião e de expressão..."
É, pois, correto afirmar que, a efetivação dos Direitos Humanos garante a paz efetiva, a tranquilidade de espírito e o bem-estar de todas as pessoas.

Tal como o alcance da paz foi um baluarte para a vivência dos Direitos Humanos, também estes são bases concretas para a vivência de uma paz efetiva e duradoura, e, consequentemente, para a felicidade da humanidade, como é aliás missão dos Maçons e da Maçonaria.

ELBF24

LIBERDADE, IGUALDADE E FRATERNIDADE

Eugène Delacroix

LIBERDADE, IGUALDADE E FRATERNIDADE
O tríplice lema, a Maçonaria e os Direitos Humanos

Em Maçonaria, são muitos os temas que originam debate, discussão e dúvida.
Por um lado, o facto de ser uma organização iniciática e discreta faz com que, muitas sejam as teorias, contos e ditos à volta da nossa Augusta Ordem, por outro lado, o facto de ser uma sociedade cujo conhecimento é transmitido por símbolos, rituais e por graus, faz com que, mesmo no seio dos seus membros existam dúvidas sobre a sua história ou muitos dos seus aspetos ritualísticos e filosóficos, sendo, pois, o ato de estudar Maçonaria, por si só um ato continuo de “polimento da pedra bruta”!
O tríplice lema da Liberdade, a Igualdade e a Fraternidade é também por si só um espectro de grande discussão interna.
Várias são as versões:
•        O lema, foi criado, e é atualmente usado pela Maçonaria Universal?
•        O lema, é apenas usado pela maçonaria francesa liberal, ou se quisermos pela maçonaria dita irregular?
•        O lema, foi adotado pela maçonaria após a revolução francesa?
•        O lema, é erradamente associado à maçonaria?
Independentemente das questões levantadas, do ponto de vista filosófico, o tríptico Liberdade, a Igualdade e a Fraternidade, está intimamente, a meu ver, ligado aos princípios maçónicos, independentemente da corrente ou ordem maçónica.
Para além da maçonaria, tais princípios também inspiraram a Declaração Universal dos Direitos Humanos promulgada pela ONU, em 10 de dezembro de 1948. Assim, ao abordar o tema da Liberdade, da Igualdade e da Fraternidade neste balaústre, decidi fazer um paralelismo entre o tríplice lema, a ação da Maçonaria e os Direitos Humanos, através da sua declaração universal.
Do ponto de vista histórico, a primeira declaração dos direitos humanos da época moderna é a Declaração dos Direitos da Virgínia de 12 de junho de 1776, escrita por George Mason e proclamada pela Convenção da Virgínia. George Mason foi um destacado politico americano, representante do estado da Virgínia na Convenção Constitucional Americana e com ligações à Maçonaria, tido como maçon embora, sem que haja prova documental da sua filiação.

Este importante documento influenciou, Thomas Jefferson na redação da declaração dos direitos humanos existente na Declaração da Independência dos Estados Unidos da América de 4 de julho de 1776. Thomas Jefferson, foi como se sabe, o terceiro presidente do EUA e um dos pais fundadores da nação americana, tendo sido o principal autor da declaração de independência e sobre o qual existem provas da sua suposta ligação à maçonaria.

Podemos ainda referir referências maçónicas na Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão de 1789 debatida e aprovada na Assembleia Nacional Francesa fruto da revolução francesa, também ela com elevada influencia da Maçonaria e na qual definia o direito individual e coletivo das pessoas, tendo alargado o campo dos direitos humanos e definido os direitos económicos e sociais.

Mas o momento mais importante na história dos Direitos do Homem, é no período de 1945-1948. Em 1945, os Estados tomam consciência das tragédias e atrocidades vividas durante a 2ª Guerra Mundial, o que os levou a criar a Organização das Nações Unidas (ONU) em prol de estabelecer e manter a paz no mundo. Foi através da Carta das Nações Unidas, assinada a 20 de junho de 1945, que os povos exprimiram a sua determinação "em preservar as gerações futuras do flagelo da guerra; proclamar a fé nos direitos fundamentais do Homem, na dignidade e valor da pessoa humana, na igualdade de direitos entre homens e mulheres, assim como das nações, grande e pequenas; em promover o progresso social e instaurar melhores condições de vida numa maior liberdade". A criação das Nações Unidas simboliza a necessidade de um mundo de tolerância, de paz, de solidariedade entre as nações, que faça avançar o progresso social e económico de todos os povos.

Os principais objetivos das Nações Unidas, passam por manter a paz, a segurança internacional, desenvolver relações amigáveis entre as nações, realizar a cooperação internacional resolvendo problemas internacionais do cariz económico, social, intelectual e humanitário, desenvolver e encorajar o respeito pelos direitos humanos e pelas liberdades fundamentais sem qualquer tipo de distinção.

Assim, a 10 de dezembro de 1948, a Assembleia Geral das Nações Unidas proclamou a Declaração Universal dos Direitos Humanos.

Mas o que é que a Declaração Universal dos Direitos Humanos tem a ver com a Maçonaria?

Não será por acaso que o tríptico em que assentam os valores filosóficos e de Acão da Maçonaria Universal – Liberdade, Igualdade, Fraternidade – se plasmam na mais feliz cumplicidade ética logo no primeiro artigo dos trinta que constituem a Declaração Universal dos Direitos do Homem aprovada pela Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas, a saber: “Todos os seres humanos nascem livres e iguais em dignidade e em direitos. Dotados de razão e de consciência, devem agir uns para com os outros em espírito de fraternidade.”.
De facto, dificilmente se poderia encontrar algo de mais enfático, que de melhor forma sublinhasse e enfatizasse os princípios e os valores perseguidos pela Nossa Augusta Ordem. Senão vejamos, “Todos os seres humanos nascem livres e iguais.” Aqui estão os princípios mais sublimes da Liberdade e da Igualdade. Só que tais princípios não se esgotam no ato do nascimento. Ao contrário, passam a constituir património inalienável de cada ser humano, até ao dia da sua passagem ao Oriente Eterno. E depois: “Devem agir uns para com os outros em espírito de fraternidade”. Por isso nos chamamos Irmãos. Por isso juntamos as nossas mãos na Cadeia de União, para que a Fraternidade se vá fortalecendo através da Unidade. 
Ainda assim, se fracionarmos o conceito de Liberdade, Igualdade, Fraternidade e o analisarmos face às três gerações de direitos segundo Karel Vasak, jurista checo-francês que foi diretor da divisão de Direito Humano e Paz da Unesco, verificamos que os direitos humanos de primeira geração seriam os de liberdade, compreendendo os direitos civis e políticos, bem como as liberdades clássicas, os de segunda geração seriam os da igualdade, ou seja, os económicos, sociais e culturais e os de terceira geração seriam os da fraternidade, como os do direito a um meio ambiente equilibrado, a uma qualidade de vida saudável, à prosperidade, à paz e à autodeterminação dos povos.
Ora, se analisadas caso a caso, só a Sabedoria proporciona a Liberdade, só a Força da razão patrocina a razão da Igualdade, só a Beleza torna a Fraternidade no mais belo sentimento que une os homens livres e de bons costumes.
Ou seja, este fracionamento dos direitos contemplados na Declaração Universal constitui um paralelismo às colunas que decoram a Ordem Maçónica Universal.
Em suma, podemos afirmar que a Declaração Universal dos Direitos do Homem, tem uma forte inspiração maçónica. Se por um lado, os seus 30 artigos baseiam-se no mais puro e consagrado Direito Natural, ora, a Lei Natural é também a Lei do Dever e a ela estão obrigados todos os Maçons que desejam aperfeiçoar o seu senso de fraternidade e de tolerância, por outro lado, é fácil verificarmos nos Landmarks alguns dos temas abordados na referida Declaração.
Assim, o terceiro Landmark consagra que, “a Maçonaria é uma ordem, à qual não podem pertencer senão homens livres e de bons costumes, que se comprometem a pôr em prática um ideal de paz”. No quarto Landmark, afirma-se que, “a Maçonaria visa a elevação moral da Humanidade inteira, através do aperfeiçoamento moral dos seus membros e, apenas citando parte do sexto Landmark, destaca-se que “a Maçonaria impõe a todos os seus membros o respeito das opiniões e crenças de cada um (…) ela é ainda um centro permanente de união fraterna, onde reinam a tolerante e frutuosa harmonia entre os homens”.

É pois, esta liberdade de pensamento que juntamente com a liberdade física do ser humano e os princípios da Igualdade e da Fraternidade, se comparam, no exercício da cidadania, a Declaração Universal dos Direitos do Homem e os princípios da Maçonaria Universal.

ELBF24