terça-feira, 30 de abril de 2019

Edward Elgar - Nimrod




Edward Elgar - Nimrod (António Saiote - Orquestra Sinfónica da ESMAE)


Executado em clarinete, em Loja por:

ELBF04

segunda-feira, 29 de abril de 2019

Tolerância e Alteridade

Luís Morgadinho

Tolerância e Alteridade

Diante da violência e a dor que os diversos conflitos atuais nos oferecem, importa refletir demoradamente sobre o que é a Tolerância, pois um futuro de paz depende dos nossos atos e gestos quotidianos.
A sensibilização e educação para a tolerância, nos diversos âmbitos, mas sobretudo no coração de cada I.: são imprescindíveis. Impõe-se, pois se se quer corrigir a assimetria do mundo, tornar menos desigual a repartição dos seus recursos, não se pode deixar de falar na luta contra a intolerância, a pobreza e a humilhação, como principais fontes de violência. Mas o fator fundamental, que se alcança pelo aperfeiçoamento pessoal, é compreendermos que a nossa capacidade de valorizar cada pessoa é a base da ética da paz, da segurança e do diálogo intercultural.

1. A tolerância

A tolerância tem a ver com a imagem que construímos do mundo, com um mundo alternativo. Como pode um organismo integrar o elemento estranho sem o dissolver? A bem dizer, a tolerância não tem a ver com realidades, mas com as ideias que delas fazemos: problema de comunicação, desconhecimento entendido como “risco moral”; privilégio do diálogo para encontrar o outro sem perdermos o nosso ser, porquanto é preciso julgar e poder justificar-se para viver em comum. Só pode ser tolerante, no sentido estrito, aquele que se comporta enquanto organismo e sistema. Se ele estiver interiormente pronto a acolher o estranho, o novo que o chama, sem perder a essência da sua unidade e da sua identidade, será efetivamente tolerante. Sendo assim, quando falamos de tolerância, num sentido estrito, fazemos referência à capacidade de expor, de arriscar estas ideias a que chamamos “minhas” ou a que um conglomerado histórico chama “nossas”, face à eficácia das outras razões que não são as minhas, que ao olhar e ao domínio do “eu”. De um inconsciente que, perigosamente, está a constituir um outro sistema.

2. Alteridade

Ser tolerante é aceitar o outro como outro, como diferente; mas é esta diferença que nos devolve a nós próprios, enriquecidos. Coloca-nos na interdependência recíproca e na peregrinação. A tolerância é a seriedade que admite noutrem uma maneira de pensar ou de agir diferente da que nós mesmos adotamos, que respeita a liberdade de outrem em matéria de religião, de opiniões filosóficas, políticas. A tolerância, então, é o modo em que um ser existe noutro, e expressa a radical interdependência de tudo o que existe. A força de muitas culturas tradicionais não está só na sua resistência ao infortúnio e ao sofrimento, mas na sua habilidade para tolerar, e com isto, para integrar de forma mais completa, o que em outras circunstâncias exasperaria e inclusive destruiria a gente corrente.
Mas o duplo sentido de «tolerar», a sua cisão entre suportar e combater, advertiu-nos disto: o fantasma do «intolerar» está sempre presente-ausente na tolerância, esse fantasma que transforma o outro à sua imagem, fazendo dele o seu outro, um quase-ser, um quase-outro. Aceitar o nosso destino humano é assim aceitar ser afetado pela pluralidade dos singulares que, de facto, nos afeta.
Entre os dois extremos, o de uma afirmação irredutível da individualidade, que inviabilizaria a tolerância negando a possibilidade de uma verdadeira comunicação, e o de uma redução do indivíduo à formação social e política que a tornaria gratuita como esforço voluntário, parece-nos sensato propor um meio termo, o do mútuo reconhecimento, que possibilita o surgir do “eu” e do “tu”. Não se trata apenas de relacionar dois indivíduos, mas de compreender que o Eu só se reconhece como tal no confronto de identidades e diferenças com um Tu, que só a relação torna visível a individualidade. O respeito pela alteridade não é, deste modo, mero artifício de boa convivência, mas a condição de possibilidade de revelação ao Homem pelo Homem, da sua Humanidade.
Ser cada vez mais tolerante, sem pôr em causa o que é humano no homem, é tarefa concreta, para a qual a teorização só pode apontar. A tolerância apoia-se na vivência de uma convicção: nada há mais importante que as pessoas, e estas têm que ser integramente respeitadas, com todas as suas peculiaridades e suas diferenças. Mais ainda, a atitude de tolerância tem fé na possibilidade de conduzir as disputas, controvérsias e conflitos como uma empresa cooperativa, em que ambos os lados ou partidos aprendem, ao dar ao outro a chance de se expressar.

ELBF26

domingo, 28 de abril de 2019

MORAL

Mithra - Alberto d’ Assumpção
MORAL
Moral provém do latim, Moralis - maneira, carácter, comportamento próprio. Define o conjunto de intenções e acções próprias ou impróprias.
Há uma confusão recorrente ou sobreposição entre moral e ética.
Éthica era para os gregos êthos - o interior do ser humano, a intenção subjectiva do indivíduo.
Ética também significava éthos ou mores em latim-conjunto de hábitos, costumes, usos, regras vigentes em cada época.
Ao traduzir ética para Mores, o latim ignorou a interpretação subjectica, o livre arbítrio, privilegiando o lado comunitário e social da ética.
A moral submete-se a m valor: Hegel distinguia a moral subjectiva da moral objectiva. A primeira abordava o livre arbítrio, o cumprimento do dever. A segunda, a moral objectiva -obediência às normas da sociedade; às leis, costumes vigentes. Para Hegel, a vontade subjectiva torna-se incompleta pois não considera a sociedade em que o indivíduo se insere.
Por outro lado pode ser estéril, ao não sair do abstraco, ao não resultar ou interagir com as normas de sociedade.
A racionalidade da moral universal, interagindo com a sociedade, enriquece e completa a moral subjectiva tornando-a objectiva, eficaz. Embeleza-a e fortalece-a, tornando a moral uma virtude.
Interessante a relação entre Moral e Direito.
Se nem tudo o que é moral é regra jurídica, nem tudo o que é lícito é moral. Sendo duas formas de regulação social, entrecruzam-se, completam-se, fortalecem-se, mas não deixam de ser entidades distintas as quais necessitam de equilíbrio. Deste equilíbrio derivará a virtude dos justos. Sem moral o direito pode ser inumano. Sem direito, a moral pode tornar-se numa amálgama de maus hábitos segundo o Zeitgeist.
 As sociedades totalitárias são exemplos paradigmáticos onde o direito do regime fere de morte e se sobrepõe à moral dos costumes, ao direito consuetudinário, ao livre arbítrio, à liberdade, à empatia, à piedade, à fraternidade, por exemplo.
Segundo Georg Jellinek, na sua teoria do mínimo ético, o Direito representa o mínimo de moral necessário para que a sociedade possa sobreviver.
Moral e Religião
Em civilizações milenares não há distinção entre moral e religião. Egípcios, babilónios, chineses, muçulmanos ortodoxos hoje em dia, digo eu, convivem com a moral, a religião e o próprio direito como um todo.
Nos códigos antigos encontram-se preceitos jurídicos, morais e religiosos, vide a sharia.
Nesse tempo, o direito não tinha ainda adquirido autonomia. O peso da coação religiosa e o rigor dos costumes, dispensavam outro tipo de regras. Não por acaso, o direito atinge a sua carta de alforria nas sociedades laicas.
 Nem tudo o que é legal é moral; nem tudo o que é lícito é honesto. Nunca como nos dias de hoje se revelaram estes axiomas!
O Direito é heterónimo porque é imposto ou assegurado pela autoridade competente mesmo que vá de encontro dos seus destinatários.
Bilateral, funciona entre indivíduos ou partes que se colocam como sujeitos: um de direito; outro de obrigações.
Coercível, deve ser cumprido sob pena do sujeito devedor ser objecto de sanções aplicáveis e decorrentes dos órgãos especializados da sociedade.
A Moral é subjectiva e deriva do livre arbítrio determinado pela nossa consciência autónoma.
Unilateral, pois é decorrente do indivíduo.
Subjectiva, só obedece ao dever interior.
Tenho para mim que do equilíbrio entre uma moral milenária que nos é inerente geneticamente e se traduz nos preceitos que as avós nos transmitiam com o chá, nos mandamentos que a religião nos impôs durante séculos e que determinaram comportamentos ainda vigentes, no direito que as sociedades mais evoluídas adoptaram para nos proteger da tirania política e religiosa decorrente dos piores vícios, resulta a Virtude que cada aconchegará cada maçon no caminho da Luz. A força do direito, a Beleza da Moral e a Sabedoria da ética. 

ELBF04

Mahler - Symphony Nº 2

Mahler - Symphony Nº 2 (António Saiote - Orquestra Sinfónica ESMAE - 5th Movement)


Executado em clarinete em Loja por,

ELBF04

À Toi la Gloire !

À Toi la Gloire !
George Frideric Haendel
AF118. À Toi la Gloire !
Texte de Edmond Louis Budry

Strophe 1
1. À toi la gloire,
Ô Ressuscité !
À toi la victoire
Pour l'éternité !
Brillant de lumière,
L'ange est descendu,
Il roule la pierre
Du tombeau vaincu.
Refrain
À toi la gloire,
ô Ressuscité !
À toi la victoire
Pour l'éternité !
Strophe 2
2. Vois-Le paraître :
C'est Lui, c'est Jésus,
Ton Sauveur, ton Maître !
Oh ! ne doute plus !
Sois dans l'allégresse,
Peuple du Seigneur,
Et redis sans cesse
Que Christ est vainqueur.
Refrain
À toi la gloire,
ô Ressuscité !
À toi la victoire
Pour l'éternité !
Strophe 3
3. Craindrais-je encore ?
Il vit à jamais,
Celui que j'adore,
Le Prince de paix ;
Il est ma victoire,
Mon puissant soutien,
Ma vie et ma gloire :
Non, je ne crains rien.
Refrain
À toi la gloire,
ô Ressuscité !
À toi la victoire

Pour l'éternité !

Executado em L. em clarinete por,
ELBF04

quinta-feira, 18 de abril de 2019

FIDELIDADE

Santa Catarina de Alexandria (Caravaggio)
FIDELIDADE
Quando nos referimos a fidelidade estamos a abordar um tema complexo e de extremo significado. Repare-se que a palavra em si, significa; qualidade de fiel, fé, lealdade, verdade, veracidade, assim como, exatidão. Invariavelmente esta surge-nos no pensamento para classificar alguém ou alguma coisa como que é leal, pois é um termo que está associado àquilo que é verdadeiro, honesto, constante e confiável. Refere-se também à qualidade da pessoa que cumpre rigorosamente os compromissos assumidos com outra, que neste caso, denomina-se, fiel. Este conceito é invariavelmente reconhecido pelo comum da sociedade como o conceito geral e generalista da palavra, fidelidade. No entanto, se entrarmos no estudo da Fidelidade Divina percorremos caminhos complexos e de difícil compreensão. Para tal, teremos que “fielmente” reconhecermos que a fidelidade de Deus é Imutável, que cremos em todas as promessas de Deus e que estas, a seu tempo, se irão cumprir e acima de tudo temos que aceitar que a infidelidade humana não altera a fidelidade de Deus. Este tema, a Fidelidade Divina é um dos grandes temas Bíblicos, carrega em si o compromisso inabalável de Deus e do seu povo. Do estudo do tema, verifica-se que a fidelidade está intimamente ligada à expressão de coerência moral e pessoal no relacionamento com o próximo. No Antigo Testamento, a fidelidade é um predicado de Deus, no seu amor misericordioso. Deus sabe que a fidelidade do seu Povo com quem construiu a Aliança, só será desenvolvida e mantida ao longo do tempo, e só será possível com a sua boa vontade. Todo o Antigo testamento está repassado por este drama, que é um desafio: a fidelidade de Deus, a infidelidade do Povo. Repare-se que São José, instala diante dos nossos olhos a beleza de uma vida fiel, confiava em Deus, por isso pôde ser o seu homem de confiança na terra para cuidar de Maria e de Jesus, e no Céu é um pai bom que cuida da nossa fidelidade. A fidelidade a alguém, a um grande amor, ou até a uma vocação, é um percurso no qual se alternam momentos de felicidade com períodos de obscuridade e dúvida. A Virgem Maria manteve o seu sim e convida-nos a ser leais, vendo também a mão de Deus naquilo que não compreendemos. Quando a Virgem Maria tomou conhecimento antecipadamente por Deus da profecia que iria viver, a sua atitude, nesse momento, e uma vez mais, foi guardar todos os seus íntimos pensamentos no seu coração, meditando. Esse é o
caminho, como assinalava João Paulo II, para poder ser leais ao Senhor: “Maria foi fiel antes de
mais quando, com amor, procurou o sentido profundo do desígnio de Deus n’Ela e para o mundo (...). Não haverá fidelidade se não houver na origem esta ardente, paciente e generosa procura; se não se encontrasse no coração do homem uma pergunta, para a qual só Deus tem resposta, melhor dito, para a qual só Deus é a resposta». Toda a fidelidade – como lhe é próprio – «deve passar pela prova mais exigente, a da duração», ou seja, a da constância. «É fácil ser coerente por um dia ou alguns dias. Difícil e importante é ser coerente toda a vida. É fácil ser coerente na hora da exaltação, difícil é sê-lo na hora da tribulação. E só pode chamar-se fidelidade uma coerência que dura ao longo de toda a vida».
Evidentemente com a introspeção sobre a fidelidade, ainda mais sobre a fidelidade divina, com o exemplo mais conhecido da sociedade crente, leva-nos obrigatoriamente por coerência à fidelidade sobre nós mesmos, a tecer algumas considerações sobre este facto em particular, pois seremos tão mais fieis e leais ao próximo, quanto o formos a nós próprios, em primeiro lugar.
William Shakespeare em (Hamlet), disse “Quando uma pessoa se conhece ou se concentra na busca de si, ela não se concentra nos erros dos outros, pois sabe que estaria, neste caso, a projetar a si mesma e, portanto, se autodenunciando. Ela prefere falar sobre si mesma, sobre sua própria visão genuína, sobre suas próprias contradições e suas próprias conclusões.

Ser fiel a si mesmo não é a garantia de uma paz idealizada e imaginativa, esta está relacionada com a falsa ideia de viver sem conflito. Primeiro, porque muitos os que insistem em fantasiar que os problemas aos quais se dedicam, são exteriores a eles, estes têm temor de quem é fiel a si mesmo e vêem-no frequentemente como um problema. Em segundo lugar, porque a busca de si mesmo não é pacífica dentro do próprio sujeito. Ao contrário disso, ser fiel a si mesmo é decidir existir, é decidir ser fiel a tudo o que existe. Ser fiel a si mesmo não é a garantia de uma paz idealizada e imaginativa, esta está relacionada com a falsa ideia de viver sem conflito. Primeiro, porque muitos os que insistem em fantasiar que os problemas aos quais se dedicam, são exteriores a eles, estes têm pavor de quem é fiel a si mesmo e vêem-no frequentemente como um problema. Em segundo lugar, porque a busca de si mesmo não é pacífica dentro do próprio sujeito. Ao contrário disso, ser fiel a si mesmo é decidir existir.
ELBF18

quinta-feira, 28 de março de 2019

“O caminho da Luz atinge-se através do estudo da ciência da Moral”



Alberto d'Assumpção
“O caminho da Luz atinge-se através do estudo da ciência da Moral”

O caminho da Luz simboliza o Conhecimento, a Sabedoria ou a Fé. Simboliza a consciência do criador da vida.
Este conhecimento, esta sabedoria, faz parte da vontade que o maçom tem de no seu dia a dia analisar e melhorar com os seus atos, todos nós:
- já ficamos com medo de entrar em combate
- já perdemos a fé no futuro
- já trilhamos um caminho que não era o Nosso
- já dissemos que sim quando queríamos dizer não
- já falhamos nas Nossas obrigações espirituais
- já ferimos alguém que amávamos
Pelo fato de passarmos por tudo isso, e não perdemos a esperança de sermos melhores do que éramos, estamos no caminho da Luz.
No caminho observamos as regras, as convenções, os tabus, que orientam a Sociedade, como individuo efetuamos os nossos julgamentos sobre o que é moral ou imoral, certo ou errado, bom ou mau.
Devemos tentar compreender e explicar de forma racional, fundamentada, cientifica e teórica, estes conhecimentos levam-nos à ética.
São estes pilares, da ÉTICA e da MORAL, que nos permitem construir como Maçons, a conduta do homem, exaltando o seu caráter, o altruísmo a fraternidade a bondade de ensinar e aprender a melhor forma de agir e e se comportar em sociedade.

ELBF02

Breves considerações sobre “A JUSTIÇA”

JUSTIÇA - Armando Alves

Breves considerações sobre “A JUSTIÇA”

Sócrates - tem uma visão universal de Justiça “Justiça é virtude e sabedoria; e a injustiça maldade e ignorância

A Justiça é uma ideia descoberta, que emerge do mais recôndito de nós mesmos. O homem é capaz de avaliar o justo e o injusto, mas desconhece o princípio que lhe permite efetuar semelhante avaliação. É um julgamento subjetivo de valor que não pode ser analisado cientificamente, como refere Hans Kelsen.

Na Idade Média – São Tomás de Aquino definiu a Justiça como sendo a disposição constante da vontade de dar a cada um o que é seu – suum cuique tribuere – reclamando como verdadeiro e perpetuo objetivo para o homem a vontade de buscar a justiça.
Se somente a vontade de Deus é perpétua e se a justiça é uma perpétua vontade, então a Justiça só pode estar em Deus”.

O Direito, o mundo do Direito que mais não é que o mundo quotidiano visto do outro lado do espelho, procura regular as relações interpessoais com estabilidade e sabedoria para alcançar aquele desiderato que o anima e com que se confunde, a Justiça.
Daí, também, a necessidade de saber e fazer administrar a Justiça. O cidadão é agora
o individuo, não já diluído em conceito, mas afirmado enquanto realidade concreta.
O Direito deixa de valer tão só pela afirmação do seu conteúdo, sempre geral e abstrato, mas também pelo significado social do resultado da sua aplicação. A realização e concretização da Justiça.

Já não é a vida tornada norma, mas sim um conjunto de regras que, em cada caso, hão-de ligar-se às exigências concretas da vida.
Entre esta e a lei não se estabelece uma relação de subsunção, mas um diálogo em busca da sua melhor conferência recíproca.
Na atual época, dita postmodernidade, privilegia-se a ética, o humanismo, o respeito
da natureza, a abertura às transcendências e proclama-se o primado do homem sobre as coisas.
No direito, como valor cultural e ligado à vida, a postmodernidade aprofunda a sua dimensão cultural e diálogo com outras áreas, nomeadamente a sociologia, numa busca constante de manter a sua dimensão ética e procura de Justiça.
Só que, esta nova época tem sempre a sua componente utópica, sempre descrita e anunciada por intelectuais, pois as demais pessoas vivem as coisas, sem as pensar.
Atualmente, a nossa sociedade, nós, somos guiados mais pelos nossos anseios que pelo amor à verdade e corremos o risco de construir um tempo presente utópico, mascarado do desejo do nosso sonho.
O Direito sem a balança para pesá-lo é força bruta e irracional. É necessário equilíbrio, equidade, ponderação e igualdade de decisões para se fazer Justiça;
Sem a espada, para obrigar a sua aplicação, o direito é fraco, não evidencia coragem,
ordem, regra e o que mais a razão dita.
Sem a venda nos olhos, periga a imparcialidade, o desejo de nivelar o tratamento de todos por igual, sem nenhuma distinção. Periga a objetividade e o princípio de que todos são iguais perante a lei.
Estes são os símbolos do Direito e da Justiça; que a enformam e determinam.

Ulpiano, jurista romano disse e defendeu que o ideal de justiça é:
“Honeste vivere, Alterum Non Laedere, Suum Cuique Tribuere” (Viver honestamente, não ofender ninguém, dar a cada um o que lhe pertence)
E, a meu ver, é!...

ELBF22

“O caminho da Luz atinge-se através do estudo da ciência da Moral”


Alberto d'Assumpção
“O caminho da Luz atinge-se através do estudo da ciência da Moral”

Para o maçom a luz é sinónimo de sabedoria. E todo o percurso que o obreiro faz é no sentido de atingir a luz ou a sabedoria tornando-se um homem melhor.
Então o que é a ciência da moral? Será o conjunto de regras de bom senso para decidir o que está bem ou mal? Ou seja dos bons costumes!
Para o Maçon são os 12 landmarks. O juramento de Hipócrates é uma das regras que todos os médicos fazem para exercer a sua actividade. Mas, existem variados códigos deontológicos de acordo com a profissão de cada um, diria em abstracto que todos esses códigos terão em comum a prática da actividade pelo bem e para o bem da comunidade.
O estudo da ciência da moral está conotado com a ética. A Sólon (1) atribui-se a obra Ética na Política.
Mas, o que é a moral? (2) (…) “Guiamo-nos (3) pela intuição e por um código apreendido de regras de bom senso para decidir sobre questões de ética e de moral (…)
Quando foi clonada a primeira ovelha (Dolly), alguém disse que se tinha aberto a “caixa de pandora”, a ciência ultrapassou -se a si mesma. Entretanto foram-se clonando partes de tecido humano, depois alguns órgãos com fins medicinais e descobriu-se que um cientista conseguiu clonar pelo menos dois seres humanos.
O cientista que clonou dois seres humanos terá sido punido pelo colégio da Ordem dos Médicos responsável pela ética ou talvez Bio-Ética!
Para algumas comunidades, para alguns políticos,  a moral é unicamente o conjunto de regras que eles acreditam ser as de bom senso, e por isso quando foram eleitos a primeira coisa que fizeram foi fechar as fronteiras a quem fosse de países considerados uma ameaça para a nação. Com essa atitude moralista de criar um país grande, foi esquecido que a grande força motora da sabedoria daquele país são cidadãos doutorados e pós doutorados oriundos de vários pontos do globo.
Ora, o Dr. Michio Kaku (4) diz que a arma secreta dos Estados Unidos da América são precisamente estes catedráticos que entraram no país com visto especial por causa da sua sabedoria e que por isso criaram Sillicon Valley.
Com a construção de muros e barreiras por causa de uma moral conservadora e ultrapassada estes sábios poderão criar outras incubadoras do saber em vários outros países, dando o exemplo da Índia ou da China.
A moral conotada com as intuições próprias pode ser um travão ao desenvolvimento social e humano.
Na actualidade, será que faz sentido citar um livro sagrado para absolver um agressor de violência doméstica? Fará sentido desculpabilizar um agressor no caso de violação porque a vítima não mostrou resistência? Quando estudo de 2017 elaborado por investigadores suecos com a amostragem de 298 vítimas de violação concluiu que 70% dessas vítimas sofreu do fenómeno de paralisia involuntária durante o acto da violação.
Essa é a moral de quem tem poder de decisão!
E o futuro que aí se avizinha? Na era da robotização, da inteligência artificial?
Para o filósofo Alfredo Marcos (5), “os aspectos nos quais se busca o suposto melhoramento do ser humano abarcam, desde as capacidades físicas e intelectuais, até as emoções, a longevidade e a prolongação da juventude (BERTOLASO, 2010).”
Também é possível que em algumas de suas aplicações essas técnicas resultem perigosas, desnecessariamente arriscadas, contrárias à ética e à dignidade das pessoas, injustas desde o ponto de vista social e até simplesmente inúteis.” (…) A atitude de humildade intelectual e de falibilismo, assim como os princípios prudenciais, devem permanecer vigentes em todo momento.
Ou seja, a sabedoria não pode ficar amordaçada nas balizas das regras do que alguém define ser moral, mas, pelo contrário antes ambas Sabedoria e Moral devem co-existir, e evoluir no melhoramento da humanidade.
NOTAS:
1 Atenas (638-558 a.C.), foi considerado pelos gregos como um dos sete sábios da Grécia.Num texto atribuído a Higino, os sábios serão: Piataco de Mitilene, Periandro de Corinto,Tales de Mileto, Solon de Atenas, Quilon de Esparta, Cleóbulo de Lindos e Bias de Priene.
2 https://www.publico.pt/2014/07/20/ciencia/noticia/o-que-e-a-moral-1663393
3 Idem
4 Físico e teórico americano (24 de Janeiro de 1947 em S. José California)

5 Docente de Filosofia na Universidade de Valladolid- Espanha)
ELBF27

sábado, 26 de janeiro de 2019

As virtudes, como caminho para a Luz, no século XXI

Veloso

As virtudes, como caminho para a Luz, no século XXI

Falar de Luz ou de Iluminação, também no contexto maçónico, pode ser visto e percebido em analogia com o fenómeno físico da irradiação da luz. Passa-se da Escuridão
(ignorância) para a Luz (autoconhecimento e realização) através de um processo iniciático, iluminador. O indivíduo começa na escuridão, com o espírito confuso e até incompreensivo.
Depois, desperta com certos processos, move-se e progride, torna-se mais vivo e raciocina, vê mais claro: é um homem mais pleno. De entre os diversos recursos, a educação e exercício das virtudes, pela sua imprescindibilidade, é o que aqui nos vai ocupar.
Seguindo de perto o trabalho de Alasdair MacIntyre, intitulado Depois das virtudes, podemos perceber que há três conceitos distintivos de virtude:
- Virtude como qualidade que permite a um indivíduo desempenhar bem o seu papel social, na senda de Homero;
- Com Aristóteles, percebemos a virtude como qualidade que permite a um indivíduo alcançar a sua finalidade/destino especificamente humano, ou seja, a felicidade;
- Por fim, com Benjamin Franklin, entendemos a virtude como qualidade útil para alcançar êxito nesta vida ou na vida futura.
A virtude é, em primeiro lugar, uma qualidade humana adquirida, cuja posse e exercício tende a fazer-nos capazes de alcançar os bens internos às práticas e cuja ausência nos impede efetivamente de alcançar esses bens.
Mas é preciso ir mais longe e perceber que as virtudes são aquelas disposições que, além de manterem as práticas e nos capacitarem para alcançar os seus bens internos, também nos sustentam na nossa busca de bem, ajudando-nos a vencer os riscos, perigos, tentações e distrações com que nos deparamos e oferecendo-nos um conhecimento cada vez maior de nós próprios e do bem para nós. O exercício das virtudes tem, então, uma dimensão de narrativa (cf. Paul Ricoeur), que permite dizer e aprofundar a compreensão que cada um tem de si mesmo, ao longo de uma vida, entrelaçada com as vidas daqueles que nos fazem ser como somos (cf. Pio Abreu).

Aqui surge a consciência da necessidade da tradição, porque as virtudes encontram o seu fim e propósito, não só em promover as condições necessárias para que possam alcançar-se os bens internos às práticas, e não só em sustentar a forma de vida individual na qual o indivíduo pode buscar o bem enquanto bem da sua vida inteira, mas também na sustentação das tradições que proporcionam, tanto às práticas como às virtudes, o seu necessário contexto. O exercício das virtudes mantém viva e saudável uma determinada tradição.
A promoção das virtudes tem como objetivo dotar o indivíduo das capacidades necessárias para ter uma vida boa e feliz. Assim, cultiva-se a capacidade para que sempre que houver oportunidade, o indivíduo tenha liberdade de escolha e de atuação, de acordo com o Bem desejado.
Depois desta abordagem fundamental, vou concretizar esta questão, de acordo com um dos desafios que considero ser premente nos dias de hoje: a sociedade em rede. Manuel Castelles propõe uma definição compreensiva da sociedade contemporânea como “sociedade em rede”, onde cada indivíduo se posiciona e relaciona, com uma forte mediação
realizada pelas redes sociais digitais.
De facto, as virtudes do século XXI, mesmo aquelas que ostentam nomes antigos, como por exemplo sabedoria e coragem, devem ser cultivadas de um modo novo, explicitamente adaptado ao ambiente tecno-moral emergente. Benjamin Franklin propôs as suas treze regras morais para desenvolver o carácter, em 1726. Inspirado nele, e recorrendo
ao pensamento de Sannon Vallor, vou propor uma lista de virtudes:
- Honestidade. Implica respeito pela verdade, juntamente com a capacidade de expressão para dizer esse respeito em contextos tecno-sociais. Não basta dizer a verdade, é preciso fazê-lo no momento oportuno, de forma adequada e com as motivações certas. A honestidade relaciona-se estreitamente com outras virtudes, como sejam o caso da verdade, integridade e confiança;
- Auto-domínio. Capacidade de, em ambientes tecno-morais, escolher, e idealmente desejar pelo que valem em si mesmos, aqueles bens e experiências que possam contribuir para o florescimento do humano, no presente e no futuro. Trata-se, no fundo, de educar o desejo em contextos tecno-sociais. O auto-domínio articula-se com a temperança, disciplina, moderação e paciência;
- Humildade. É o reconhecimento dos limites reais do nosso conhecimento e das nossas competências tecno-sociais. Implica reverência e espanto diante da capacidade que o mundo tempo tem de nos surpreender, renunciando ao “tecno-optimismo cego”, que assume serem boas e justificadas todas as inovações tecno-sociais. Esta virtude conjuga-se com a modéstia, reverência e espanto;
- Justiça. Em contextos tecno-sociais, a virtude da justiça abarca dois traços fundamentais: 1) uma disposição confiável para buscar e promover uma distribuição equitativa dos benefícios e riscos das tecnologias emergentes; 2) atenção ao impacto das tecnologias emergentes nos direitos básicos, na dignidade e bem-estar dos indivíduos e grupos. À justiça juntam-se a responsabilidade, equidade, reciprocidade e beneficência;
- Coragem. É a disposição confiável para experimentar, de forma inteligente e adequada às circunstâncias, medo e esperança em face, respetivamente, de ameaças morais e materiais, e diante de oportunidades oferecidas pelas novas tecnologias. Articula-se com a esperança, perseverança e fortaleza;
- Empatia. É a disposição para se deixar afetar pelas emoções de outros membros do mundo tecno-moral, sentindo-se movido a pôr em prática ações concretas de atenção e cuidado para com outros membros da comunidade tecno-social. Articula-se com as virtudes da compaixão, benevolência, simpatia e caridade;
- Cuidado. Disposição para responder de forma atenta, responsável e empática às necessidades daqueles com quem partilhamos o nosso ambiente tecno-social. Articula-se com a generosidade, serviço e caridade;
- Civilidade. Disposição para responder de forma atenta, responsável e empática às necessidades daqueles com quem partilhamos o nosso ambiente tecno-social. Conjuga-se com o respeito, tolerância, compromisso e amizade;
- Perspetiva. Implica a disposição para abordar os problemas morais de forma holística e global, sem me fechar no pequeno mundo, e ponderando as consequências das minhas escolhas para a comunidade tecno-social como um todo. A “perspetiva” implica paciência, tolerância e misericórdia;
- Magnanimidade. É a disposição para compreender, também em contexto de redes digitais, grandes projetos e exercer liderança moral, com generosidade, sabedoria, visão e entusiasmo. Articula-se com a coragem, ambição e nobreza de espírito.
Por fim, como corolário, há a virtude da Sabedoria, onde cada uma das virtudes anteriores encontra a sua mais elevada expressão, quando se integram na vida de uma pessoa com sabedoria tecno-moral.
Em síntese, uma pessoa com sabedoria moral integra e cultiva as virtudes indispensáveis ao florescimento humano no contexto tecno-moral, como em todos os outros contextos.


ELBF26

quarta-feira, 26 de dezembro de 2018

“Do 4º ao 8º grau – o aprofundamento da consciência do ser”

Roberto Moura Bonini


“Do 4º ao 8º grau – o aprofundamento da consciência do ser”

Desde tenra idade que me habituei a ouvir que estamos sempre a aprender, e de facto assim o é, levamos uma vida inteira a aprender e nunca sabemos tudo; aliás quanto mais sabemos mais consciência temos da imensidão do conhecimento. Raros são os dias em que não somos surpreendidos com algo novo, por vezes vindo até de onde menos de espera, tal o preconceito de sabedoria vs conhecimento com que vamos impregnando a nossa mente…
E se de facto assim é no mundo profano, onde a profundidade e a largura da sabedoria e do conhecimento não têm limites, mais o é no mundo maçónico, onde cedo aprendemos o valor da sabedoria que nos é revelada pelo nosso estudo e reflexão, pelo exemplo e pelo valor dos símbolos – que nos despertam os sentidos e que nos alavancam para a (re)construção do templo, em harmonia com o universo.
Por vezes, ou as mais das vezes, não é fácil desprendermo-nos de dogmas que vamos criando e acumulando em redor da nossa mente e que cercam o nosso ser, fazendo com que tendamos a pensar que somos os melhores do mundo, que fazemos tudo bem e na perfeição, e que quando assim não acontece a culpa é sempre dos outros, que são maus, ou do mundo exterior, que conspira contra nós, e que, por contraponto, nós somos uns santos caridosos e muito benfeitores, e portanto quase deuses em nós mesmos, no nosso ego.
Porém a realidade é bem distinta, temos usualmente uma visão distorcida de nós mesmos, da realidade, do próprio contexto onde gravitamos, e mesmo até da nossa importância, que na realidade se resume a um grão de areia na imensidão do deserto, ou, se quisermos, a um grão de romã numa imensidão de romãzeiras, o que não significa que não possamos porém fazer a diferença.
É pois neste contexto de banho de humildade que se entra na maçonaria; vindo cheio de expectativas, que são sabiamente reconduzidas, pela boa prática da simbologia e do conhecimento ritual ancestral, a nós próprios, à nossa relação como o nosso eu, ao que somos, ao que pretendemos ser, ao que estamos aqui a fazer, à forma como nos relacionamos com os outros e com o próprio universo. E é por isso que seremos eternos aprendizes, como bem dizia sabiamente Martin Guia, pois esta é uma história sem fim, feita de avanços e recuos, onde, acreditando no valor do rumo à perfeição, nos compete trilhar o caminho, uma caminho que se faz caminhando…
É precisamente nessa lógica de aperfeiçoamento do templo, desse templo que cada um é em particular, um templo físico, mental, emocional, intuitivo e espiritual, que, uma vez chegados ao grau em que somos reconhecidos MM, é absolutamente inquestionável que haja necessidade de aprofundar ainda mais o conhecimento da mensagem codificada em cada simbologia, e nas lendas a ela associadas, como veículos do estudo de nós mesmos, e como referencial de valores e princípios a seguir, que temos em nós, mas que por vezes não estão suficientemente desenvoltos e aperfeiçoados.
E mais do que descrever o padrão de ensinamentos que é suposto que cada grau nos dê, e que do 4º ao 8º grau, sucintamente passa pela revisitação do verdadeiro valor do silêncio, pela consciência da luz que há em nós, pelo despertar para novas potencialidades, pela consciencialização e preparação para o mundo novo que se abre para lá do físico – seja antes seja após a morte do corpo, que nos leva por exemplo à reflexão sobre o valor da nossa Humanidade, e de que tudo o que criamos em nosso redor só é possível por sermos nós próprios parte da universalidade que nos rodeia…, sendo que logo somos levados a dar um novo significado, muito mais amplo e profundo, a princípios basilares, como a liberdade, a igualdade e fraternidade, e por isso valorizar de forma acrescida e melhor protagonizar o dever, a fidelidade, e o zelo, de forma natural, serena e baseada na ação concreta perante os outros, numa perspetiva muito espiritual de auto gratificação pelo bem-fazer aos outros, e aqui chegados, termos melhores condições de interpretar o que nos rodeia, perceber melhor as razões dos outros, que muitas vezes julgamos injustamente ao primeiro olhar, sem imparcialidade e equidade, e que por isso temos de nos esforçar de forma autêntica e produtiva, e sem fundamentalismos, na disseminação de uma justiça efetiva, sem dogmas e que a cada momento corresponda à dose certa de punição e de tolerância – parece fácil mas nunca o será; e depois há também que entender que nada estará definitivamente conquistado, e que tal como o lavrador cuida incessantemente da sua horta, também nós temos de cuidar constantemente das múltiplas dimensões do nosso ser, com equilíbrio e em busca dele, mas, como dizia, mais do que descrever o padrão de ensinamentos que nos é revelado pela simbologia aprendida, o importante mesmo é o processo, a vivência em si, dentro de nós mesmos, e essa, por muito que nos esforcemos, é única, indescritível, e positivamente transformadora no rumo do caminho que escolhemos – o caminho de cada um!

ELBF09

“O Conhecimento”

Paul Gaugin

“O Conhecimento”

Do latim, cognoscere, "ato de conhecer"), é o ato ou efeito de conhecer, seja ele o conhecimento de uma realidade factual, em sentido estrito, de uma Lei em sentido lato, ou mesmo de uma transcendência imaterial, intangível, sendo todos aceites como verdade comprovada ou comprovável.

Mas, sem entrar em grandes conceitos técnico filosóficos, o que mais interessa, para além da obtenção do conhecimento em si, é, na minha opinião, conseguir mobilizá-lo em avanço civilizacional do Homem, ou seja, o que nos deve preocupar, e é um tema muitíssimo atual e desafiante, é como democratizar o conhecimento, fazendo-o fluir de forma natural simultaneamente no espaço, entre raças, países, confissões religiosas, gerações, e no tempo, entre gerações.

E este é de facto um desafio que não é de hoje, será antes um desiderato que se eterniza no tempo e espaço, convivendo com o Homem desde que este se conhece como tal, pois se por um lado o bicho Homem tem em si a semente do coletivo, por outro tem simultaneamente a ambição da afirmação individual. É uma dualidade em (des) equilíbrio constante!

Por outro lado, informação há muita, nunca houve tanta e tão disponível, mas cuidado, informação não é conhecimento, e muita da informação, é desinformação, levando à negação do conhecimento.

Sendo vocação central da Humanidade a sua sobrevivência, há que priorizar que, para além das questões genéticas, e complementarmente a elas, podemos e devemos, enquanto individuais que fazem parte do coletivo, preocuparmo-nos mais, e de forma autêntica e decisiva, em preservar e gerar conhecimento digno desse nome, entregando-o aos vindouros para que possam dar continuidade a esse esforço entre gerações.

E se até aqui, nada de novo, há porém de reconhecer como absolutamente atual e emergente que um dos conhecimentos mais prementes e basilares que temos obrigação de repassar aos que nos sucedem é o de melhor aprender a saber distinguir (questionar) o que é verdadeiro conhecimento, pois se por um lado a diferença entre ele o a mera informação é óbvia, por outro, e esse é o grande perigo, há “conhecimento” que tende a ser gerado de realidades alternativas – que não existem e foram fabricas (ao estilo fake news), seja por individualismos, seja por pretenderem anestesiar a Humanidade que há em nós.

É pois urgente, e deve continuar a ser uma prioridade de todos nós, continuar a dotar o mundo de uma Educação livre e universal, não aprisionada por redes fechadas, e que permita almejar um futuro mais justo e perfeito!

ELBF09

“JUSTIÇA, IMPARCIALIDADE E EQUIDADE”

Leonardo da Vinci

“JUSTIÇA, IMPARCIALIDADE E EQUIDADE”

Falar de Justiça, Imparcialidade e Equidade, é na prática falar de Humanismo, pois na verdade o desenvolvimento do Homem, rumo ao refinamento da sua superioridade a isso convoca – a busca de um Humanismo e de uma Humanidade mais e mais perfeitos, em sintonia com a Natureza (o Cosmos), na aceção física e espiritual.
Mas nada podemos dar por adquirido na longa linha do tempo onde o Homem coexiste como ator principal do ecossistema, visto este na dupla perspetiva carnal não carnal.
Se “ontem” uma geração de homens (os dessa época) fez evoluir e porventura “avançar”, de forma cuidadosa e sustentada, a Humanidade, num sentido positivo – o da maior perfeição, dotando, acautelando e potenciando uma justiça, uma imparcialidade e uma equidade mais autênticas entre os Homens, e entre estes e o ecossistema, já “hoje”, uma outra geração pode, através de lideranças impreparadas, dissimuladas, ou mesmo mal escolhidas, fazer colocar tudo por terra, regredindo a evolução anterior – este é aliás um tema bem atual, onde depois de pelo menos duas décadas de expansão da liberdade, da justiça, da imparcialidade e da equidade à escala global, vimos agora assistindo a forte retrocessos, sob a capa de nacionalismos, populismos e outras prepotências afins.
Interiorizando que, em cada tempo, a geometria da Humanidade do Homem estará constantemente em equação, é urgente prevenir, ou seja educar, educar, educar. Educar uma cultura de justiça, de imparcialidade e de equidade, sem nunca esquecer que a Justiça se faz da proporção certa de tolerância e de castigo, que Imparcialidade remete para isenção e neutralidade racional, e que Equidade pode e deve levar-nos a apreciar de forma distinta o que não é igual.
Esta é sem dúvida a maior herança geracional: preparar os vindouros para terem as bases que lhe permitam serem mais justos e mais perfeitos, e deixando, contundo, a eles a arte e o engenho de o alcançarem, ao mesmo tempo que terão como missão preparar também os que lhe venham a suceder.
Que nunca esqueçamos que aos olhos do criador, nunca ninguém é (deterministicamente) culpado!



ELBF09

“A Lealdade”

“David and Jonathan” - Rembrandt 


“A Lealdade”

O Homem, na busca constante pela sua sobrevivência, nunca teria tido êxito se não tivesse descoberto o poder do trabalho coletivo, ou seja o poder da Lealdade, que é como quem diz, da fidelidade, da dedicação a uma objetivo (comum) e, em sentido intrínseco, o poder da sinceridade, do zelo perante o próximo, da fraternidade.
É precisamente aqui que o Homem tem muito a aprender com o “cosmos”, e até com outros seres terrenos, pois não é raro ver o Homem a ser enganado, espoliado, explorado e desgraçado pelo próprio Homem, sendo porém certo que a sua condição de “ser racional e espiritual” já lhe devia ter permitido aprender o supremo valor, essencialmente para o próprio, mas para todos, da autenticidade, da genuinidade de um comportamento de vigilância e cuidado perante o seu semelhante, não de uma forma paternal, mas simplesmente fraterna e desapegada de estereótipos de raça, credos religiosos ou outras catalogações que possam ser feitas entre nós.
O que verdadeiramente está em causa é que valores com a lealdade, o zelo, a fraternidade estão muito acima da Lei criada pelos Homens (estrito senso), sendo verdadeiramente essenciais à Humanidade dos Homens e à possibilidade de desenvolvimento.
Portanto urge aprender e difundir uma cultura de fraternidade que propicie a união e a harmonia.
Mas cuidado, porque lealdade não significa dizer sempre que sim a tudo e todos; a verdadeira lealdade e fraternidade com o próximo não se faz de complacência e de desinteresse pelo que os outros fazem ou deixam de fazer, pelo contrário, faz-se de atitude e interesse positivo pelo outro, se necessário dizendo-lhe energicamente que não, que esse não é o caminho… Quanto mais zelosos da nossa lealdade, mais nos incumbe o dever de tomarmos ação, em casa, no trabalho, na escola, nas associações, entre amigos ou desconhecidos, devemos tentar participar o mais possível, de forma leal, urbana e assertiva na afirmação dos princípios e dos valores universais.

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Os Graus Inefáveis – A continuação da Lenda de Hiram

Veloso

Os Graus Inefáveis – A continuação da Lenda de Hiram

Todo o Mestre Maçon tem a obrigação de procurar o seu aperfeiçoamento.
Os Graus Inefáveis permitem ao M:.M:. percorrer o caminho em busca da perfeição, através do estudo e desenvolvimento da “Lenda de Hiram”.
Nos cinco primeiros Graus Inefáveis o M:.M:. aperfeiçoa, o estudo dos seus deveres morais e iniciáticos.
No primeiro desses graus, o Grau 4, o M:. M:. é admitido numa Loja de Perfeição, onde reiterará os seus juramentos de discrição e fidelidade, sendo elevado a Mestre Secreto.
O dever do silêncio é o primeiro e talvez o mais importante dever exigido a todos os maçons. Representa o seu compromisso em não revelar os segredos que lhe são transmitidos, mostrando-se, assim, um homem de confiança.
A fidelidade representa o seu compromisso em seguir/obedecer à lei verdadeira, original e única de todos os povos. Todo o homem deve seguir e respeitar a lei universal dos homens, de respeito pelos outros.
No Grau 5 o M:.M:. é elevado a Mestre Perfeito, tendo como deveres o trabalho e honestidade. Estas virtudes quotidianas devem ser seguidas pelo M:.M:. com maior rigor, praticando-as diariamente.
Viver e atuar honradamente deve ser o desejo fundamental de qualquer Mestre Perfeito.
A lealdade, zelo, benevolência e desinteresse são os deveres do grau seguinte, Grau 6, em que o M:.M:. é elevado a Secretário Íntimo.
Para construir a grande Sociedade da Paz no Mundo é necessário que todos pratiquem estes deveres. Só assim, as injustiças, os conflitos e ódios poderão ser combatidos.
A elevação do M:.M:. à condição de Preboste/Juiz ocorre no Grau 7, sendo seu dever a justiça. Neste grau, o M:.M:. estuda os cuidados que deve ter quando um dia julgar alguém. Só um homem imparcial, sem preconceitos e ideias preconcebidas é capaz de praticar a justiça. No final do estudo deste grau, o verdadeiro M:.M:. deve saber que “não deve julgar se não quer ser julgado, pois da mesma maneira que avalia os demais assim será avaliado”.
Finalmente, no último dos cinco primeiros Graus Inefáveis, o M:.M:. é elevado a Intendente dos Edifícios. Os deveres e ensinamentos deste grau são muito importantes para que M:.M:. avance no seu dever de aperfeiçoamento. Neste grau, deverá particularmente praticar a benevolência e caridade.
Em suma, conclui-se que não basta o trabalho e as solenidades diárias. É necessário procurar a sabedoria e ensinamentos que elas guardam. Só quando o M:.M:. for capaz de praticar diariamente sem qualquer dificuldade os ensinamentos que aprendeu até este grau é que poderá prosseguir o estudo dos mais altos graus filosóficos da curva do conhecimento da Luz e da Verdade.
No final destes primeiros 5 Graus Inefáveis o M:.M:. deverá conhecer para além dos seus deveres morais, pois os símbolos e cerimónias da Maçonaria têm vários significados.
O M:.M:. deve dormir pouco e estudar muito; falar pouco, ouvir e pensar muito; aprender que somos capazes de fazer e depois realizar com seriedade e vigor qualquer coisa que nos seja pedida pelo dever e o bem dos nossos semelhantes, do nosso país e da humanidade.
A Maçonaria procurar ensinar que não existe uma Verdade, mas sim várias, a moral, a política, a filosófica e até a religiosa. A Maçonaria é Paz, Amor Fraternal e Concórdia.


ELBF23